Embaixador do Iêmen no Catar alerta sobre avanço dos Houthis em direção a rota marítima do Estreito de Bab el-Mandeb
Segundo reportagem da Al Jazeera de 9 de setembro, o embaixador do governo internacionalmente reconhecido do Iêmen no Catar, Rajih Badi, advertiu em sua primeira entrevista pública após assumir o cargo que os Houthis estão avançando em direção às montanhas do litoral do Mar Vermelho na província de Taiz, com o objetivo de capturar posições estratégicas que ameaçam a navegação no Estreito de Bab el-Mandeb. O governo iemenita já abriu frentes em várias províncias. O porta-voz da coalizão liderada
Segundo reportagem da Al Jazeera de 9 de setembro, o embaixador do governo internacionalmente reconhecido do Iêmen no Catar, Rajih Badi, advertiu em sua primeira entrevista pública após assumir o cargo que os Houthis estão avançando em direção às montanhas do litoral do Mar Vermelho na província de Taiz, na tentativa de capturar posições estratégicas com vista para o Estreito de Bab el-Mandeb, ameaçando uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo.
Badi disse à Al Jazeera que os Houthis já avançaram até Mocha e Waziyia, na província de Taiz, e controlam amplas faixas de território montanhoso com vista para o Mar Vermelho, com o objetivo de "obter posições elevadas para lançar ataques mais eficazes e perturbar a navegação no Mar Vermelho". Ele afirmou que o governo iemenita já abriu frentes de combate nas províncias de Jawf, Marib e Bayda em resposta.
Badi alertou que, se o Estreito de Bab el-Mandeb for estrangulado, o transporte global de energia e alimentos será afetado. "A ameaça que enfrentamos agora é real e não se limitará às fronteiras do Iêmen", disse ele à Al Jazeera. "Ela ameaça toda a região e o mundo inteiro. Se os Houthis sufocarem a navegação no Mar Vermelho, enfrentaremos outro Estreito de Ormuz — e o impacto pode ser ainda maior."
A Al Jazeera destacou em sua reportagem que o Estreito de Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e se estende ao norte até o Canal de Suez, sendo uma artéria vital para o transporte global de energia e alimentos. Essa configuração geográfica faz com que o impacto do conflito iemenita ultrapasse largamente suas fronteiras, e a Arábia Saudita já se viu arrastada para o confronto.
O porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, Turki al-Maliki, afirmou à Al Jazeera que os Houthis atacaram naquele dia as cidades sauditas de Khamis Mushait, Abha e Jizan com mísseis balísticos e drones, sem divulgar detalhes sobre vítimas.
Badi acusou os Houthis de pretenderem reescrever o conflito como uma guerra entre a Arábia Saudita e o Iêmen, por meio de ataques ao território saudita, à infraestrutura civil no sul da Arábia Saudita e a navios sauditas no Mar Vermelho. "O cálculo deles é simples: querem transformar este conflito numa guerra Arábia Saudita-Iêmen", disse ele à Al Jazeera. Badi alegou que, sempre que os Houthis sofrem pesadas baixas das forças do governo iemenita dentro do Iêmen, retaliam com mísseis e drones contra alvos civis sauditas, "tentando instigar a opinião pública iemenita e fazendo o mundo acreditar que o Iêmen está em guerra com a Arábia Saudita".
Ao analisar as raízes do conflito, Badi qualificou os Houthis como "proxies iranianos", afirmando que se trata de uma relação que Teerã "não precisa mais esconder". Ele listou os Houthis ao lado do Hezbollah libanês e das Forças de Mobilização Popular do Iraque como "um dos principais braços do Irã na região" e recorreu ao julgamento do ex-presidente iemenita Hadi, segundo o qual, caso o Irã controle os estreitos de Bab el-Mandeb e Ormuz, "seu domínio sobre esses gargalos será mais poderoso do que qualquer arsenal nuclear".
Quanto às perspectivas de paz, Badi afirmou que "esgotou todas as vias pacíficas". "Há mais de 13 anos temos realizado várias rodadas de diálogo e assinado acordos, tanto dentro do Iêmen quanto depois que os Houthis ocuparam Sana'a", disse ele à Al Jazeera. Ele criticou os Houthis por "enterrar a opção da paz", afirmou que a paz "simplesmente não faz parte da mentalidade desse movimento" e disse que isso, em última instância, forçou o Iêmen a seguir o caminho armado.
Ao final da entrevista, Badi conclamou a comunidade internacional a "ficar ao nosso lado" para eliminar os Houthis, que descreveu como um "flagelo". "O mundo precisa compreender essa difícil equação", disse ele. "Os Houthis são um proxy armado, uma extensão da Guarda Revolucionária do Irã. Eles não podem nos representar."
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