Ao menos 29 crianças morrem em incêndio escolar em Bukavu: sequência de queimadas expõe falha da segurança pública em área ocupada pelo M23
Um incêndio em uma escola de Bukavu, no leste do Congo, matou ao menos 29 crianças na quinta-feira e levou outras vítimas ao hospital por asfixia e pisoteamento. A cidade está sob controle do movimento AFC/M23, apoiado por Ruanda, desde fevereiro de 2025 e sofreu vários incêndios nos últimos dias, mas nem a força ocupante nem atores externos anunciaram uma resposta sistemática.
Um incêndio atingiu uma escola na quinta-feira em Bukavu, capital da província de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo, matando ao menos 29 crianças. Dezenas de alunos e professores foram hospitalizados por asfixia e pisoteamento. Ocupada desde fevereiro de 2025 pelo movimento AFC/M23, apoiado por Ruanda, a cidade enfrenta uma sequência de incêndios que revela graves falhas na segurança pública e na administração.
Segundo a Rádio Okapi, operada pelas Nações Unidas, o fogo começou por volta das 8h, no horário local, no bairro de Chimpunda, e depois se espalhou para a escola primária Ujamaa e a escola secundária Furaha. O vice-governador de Kivu do Sul, Dunia Masumbuko Bwenge, disse à Reuters que as escolas e cerca de 300 casas de madeira foram destruídas.
A Agence France-Presse citou o funcionário local Patrice Buduge, que afirmou que o incêndio «provocou em seguida um pisoteamento violento, obrigando os alunos a pisar uns nos outros ou procurar rotas perigosas de fuga; muitos desmaiaram e outros perderam a consciência». Algumas pessoas morreram no local e outras a caminho do hospital, acrescentou Buduge, explicando que parte das vítimas morreu durante o tumulto.
Christophe Zigashane, enfermeiro de uma clínica local, disse à AFP que sua unidade «recebeu cerca de 50 estudantes, além de vários professores, todos em estado grave de asfixia».
Lawrence Kanyuka, porta-voz da AFC/M23, declarou na quinta-feira que entre os estudantes cuja morte havia sido confirmada estavam 19 meninas e cinco meninos. Segundo ele, 29 pessoas recebiam atendimento em unidades de saúde locais, 21 delas em terapia intensiva. Dezessete feridos graves estavam no Hospital Geral de Kadutu e quatro no Hospital Geral Provincial de Bukavu. Kanyuka afirmou que o M23 havia enviado equipes de emergência para controlar o fogo e prestar ajuda às vítimas, e pediu calma e união durante a investigação.
A imprensa congolesa informou que Bukavu sofreu vários incêndios nos últimos dias, incluindo um que destruiu mais de 45 casas no domingo passado. Autoridades locais e veículos de comunicação confirmaram que o número de mortos ainda é provisório e que a causa do incêndio não foi determinada. Em uma sequência de queimadas cujas principais vítimas são crianças, a força armada que controla a cidade mobilizou equipes para combater as chamas, mas não apresentou qualquer plano sistemático de prevenção ou segurança urbana. Os civis estão pagando o preço dessa incapacidade de governar.
Ainda não há comentários. Inicie a discussão.