Paquistão impõe estado de emergência na província de KP invocando crise de segurança, suspende governo provincial liderado pelo PTI e detém membros do partido em grande escala
Segundo a AFP, o governo federal do Paquistão declarou estado de emergência em 11 de outubro na província de Khyber Pakhtunkhwa, suspendendo o funcionamento do governo provincial eleito liderado pelo partido Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), do ex-primeiro-ministro Imran Khan; dois policiais anônimos afirmaram que 278 membros do partido foram detidos desde a decretação da emergência, o ministro-chefe foi colocado sob custódia, e houve uma interrupção significativa da internet na província.
Segundo reportagem da AFP de 12 de outubro, o governo federal do Paquistão declarou estado de emergência no dia anterior na província de Khyber Pakhtunkhwa, suspendendo o funcionamento do governo provincial eleito liderado pelo Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), do ex-primeiro-ministro Imran Khan. Essa medida ocorreu após protestos antigoverno que se prolongavam por vários dias na província, cujos manifestantes exigiam a libertação do ex-primeiro-ministro, que permanece preso. Dois policiais que prestaram informações à AFP e solicitaram anonimato por não estarem autorizados a falar com a mídia afirmaram que 278 membros do PTI foram detidos na província desde a decretação do estado de emergência.
O governo federal invocou a deterioração da situação de segurança nas áreas de fronteira e a frequência de ataques terroristas como justificativa para as medidas de emergência, dissolvendo o governo provincial. O ministro da Justiça Azam Nazir Tarar afirmou, após o anúncio da lei de emergência, que o governo liderado pelo PTI na província ficaria "incapaz de funcionar" até que a situação de segurança melhorasse. A reportagem da AFP indicou que Islamabad acusava as autoridades provinciais do PTI em KP de não responderem às atividades armadas na província, o que tornou a lei de emergência necessária.
Horas após o anúncio dessa medida, qualificada por constitucionalistas como "extraordinária", o PTI afirmou que o ministro-chefe da província, Sohail Afridi, havia sido preso. O ministro federal da Informação, Attaullah Tarar, confirmou à AFP que Afridi havia sido colocado sob custódia, mas negou a versão de que teria sido "preso", sem fornecer detalhes adicionais sobre a detenção. Um funcionário administrativo anônimo disse à AFP que o ministro-chefe inicialmente ficou sob "custódia protetiva" em sua residência oficial e, posteriormente, foi transferido para um local não divulgado.
Repórteres da AFP viram em Peshawar que, no primeiro dia após a imposição do estado de exceção, um grande efetivo policial foi mobilizado na entrada da histórica cidade velha da capital provincial, o portão de Hashtnagri. Barreiras provisórias compostas por contêineres e cercas de arame farpado isolaram a área administrativa da cidade do restante do entorno, com cada posto de controle com contêineres contando com mais de dez policiais portando escudos de proteção, cassetetes e gás lacrimogêneo. Escolas locais foram fechadas naquele dia. A entidade de monitoramento Netblocks relatou que, na noite em que o estado de emergência foi anunciado, houve "uma interrupção significativa da conectividade de internet" em partes da província.
Moradores descreveram presencialmente à AFP a sensação de ter a vida cotidiana interrompida. O motorista Said Khan afirmou: "As pessoas estão enfrentando dificuldades, porque este é um governo de tipo colonial. As pessoas agora não conseguem mandar seus filhos para a escola, contêineres foram colocados para bloquear as estradas, e os comerciantes estão sofrendo." Em Kohat, ao sul de Peshawar, o advogado de 72 anos Mahmood-ul-Islam manifestou à AFP sua aprovação ao decreto de emergência, acusando o governo provincial de "incompetência". Ele disse: "Eles não conseguem controlar a lei e a ordem, não conseguem controlar o terrorismo e não conseguem resolver os problemas do povo de Khyber Pakhtunkhwa."
O PTI se opôs fortemente a essa medida constitucional, qualificando-a de "antidemocrática" e acusando o governo federal de aproveitar a oportunidade para "tomar o poder". O partido convocou novos protestos após a decretação do estado de emergência, mas, segundo observação da própria AFP, os protestos esparsos em 12 de outubro tiveram uma escala muito inferior à da anterior "Longa Marcha" (Long March). Na cidade de Bara, na região de Khyber, no oeste da província, um policial disse à AFP que a polícia disparou tiros para o ar a fim de dispersar os manifestantes e deteve cinco pessoas. Em Peshawar, repórteres da AFP viram cerca de 30 apoiadores do PTI serem dispersados depois de gritarem slogans exigindo a libertação de Khan, retornando em seguida ao mesmo local num vaivém com a polícia. Em Mardan, ao nordeste de Peshawar, repórteres da AFP viram um caminhão que servira de ponto de encontro durante a Longa Marcha, com a imagem de Khan estampada em sua capota rasgada e removida.
Imran Khan está preso desde agosto de 2023, enfrentando dezenas de acusações, incluindo corrupção e incitação à violência, decorrentes dos distúrbios em larga escala contra o establishment em maio do mesmo ano. Ele e sua equipe jurídica negam todas as acusações, classificándolas como politicamente motivadas. Entre as demandas dos atuais manifestantes está a permissão para que seu médico pessoal possa visitá-lo. As negociações entre o governo federal e a liderança do PTI foram rompidas em 4 de outubro, deflagrando diretamente a subsequente onda de manifestações.
Quanto aos 278 detidos, os policiais citados pela AFP, que forneceram o número de forma anônima, não houve verificação oficial pública sobre a hierarquia específica dos cargos ocupados e as acusação nem a verificação oficial pública sobre a hierarquia específica dos cargos ocupados e as acusações envolvidas; quanto à eventual prisão formal do ministro-chefe Afridi, as versões do ministro federal da Informação e do funcionário administrativo anônimo não coincidem; quanto à extensão da interrupção da internet registrada pela Netblocks e se sua origem decorreu de censura governamental ou de danos à infraestrutura, ainda não houve confirmação integral por fontes independentes.
Ainda não há comentários. Inicie a discussão.