Petróleo Brent dispara mais de 20% em uma semana e rompe US$ 101; guerra dos EUA e Israel contra o Irã e caos no Oriente Médio pressionam mercados globais
O petróleo Brent rompeu pela primeira vez desde julho a barreira dos 101 dólares por barril na quarta-feira, com alta superior a 20% em apenas uma semana, e chegou a tocar 101,94 dólares na sessão de quinta-feira. Por trás da disparada estão o prolongamento da guerra deflagrada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro, os ataques mútuos entre Washington e Teerã a petroleiros no Estreito de Ormuz e a escalada do conflito entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen. O diesel
O petróleo Brent rompeu pela primeira vez desde julho a barreira dos 101 dólares por barril na quarta-feira, acumulando alta superior a 20% em apenas uma semana; na quinta-feira, chegou a tocar 101,94 dólares durante a sessão. Segundo a AFP e a France 24, por trás dessa disparada estão o prolongamento da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro e a simultânea escalada em múltiplas frentes no Oriente Médio.
Desde o início da guerra, o Irã mantém o controle do Estreito de Ormuz e anunciou nesta semana a ampliação da zona de exclusão marítima para além do estreito; Washington, por sua vez, mantém o contra-bloqueio aos portos iranianos. Os dois países atacam petroleiros que trafegam pelo estreito — o lado iraniano afirmou ter atacado, na quarta-feira, mais de dez embarcações que tentavam atravessá-lo. O Irã também declarou ter atacado uma base militar americana na Jordânia, em retaliação à destruição de cinco petroleiros iranianos pelas forças dos Estados Unidos no dia anterior; a verificação independente dessas alegações é limitada.
O conflito não se limita ao Golfo Pérsico. Os houthis do Iêmen têm lançado ataques contra instalações petrolíferas sauditas, expandindo sua ofensiva em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, um gargalo estratégico; o grupo afirma que cerca de 40 bombardeios foram realizados pela Arábia Saudita na nova rodada de ataques aéreos da quinta-feira. Com o Estreito de Ormuz efetivamente fechado, a rota que passa por Bab el-Mandeb ganha crescente importância para as exportações de petróleo sauditas.
O custo da guerra já começa a se fazer sentir de forma palpável nas famílias: o preço do diesel nos Estados Unidos atingiu recorde histórico próximo de 6 dólares por galão. O petróleo intermediário do Oeste do Texas (WTI) chegou a 97,79 dólares na quinta-feira, maior nível desde maio. A disparada reaqueceu as expectativas de retorno da inflação, e investidores apostam que o Federal Reserve e demais bancos centrais serão obrigados a subir os juros para conter os preços. Espera-se amplamente que o Banco Central Europeu eleve os custos de empréstimo na quinta-feira, e os dados de preços ao consumidor que os Estados Unidos divulgarão na próxima semana são vistos como variável-chave capaz de influenciar a decisão do Fed sobre elevação de juros no mês.
Sob a expectativa de alta de juros, as bolsas globais operam sob pressão. Os três principais índices de Wall Street fecharam em queda na quinta-feira; os mercados europeus também recuaram, e a maioria dos asiáticos acompanhou o movimento — Seul, Hong Kong, Sydney, Xangai, Cingapura, Taipei, Wellington, Bangkok, Jacarta e Manila registraram quedas expressivas; Tóquio, Mumbai, Londres e Paris tiveram alta modesta, enquanto Frankfurt caiu ligeiramente.
Neil Wilson, analista da Saxo Markets, traçou as perspectivas para os investidores: "Setembro é historicamente o mês mais difícil para Wall Street e, no retrospecto, também o mais fraco. Após uma temporada de verão razoavelmente sólida, mas um tanto irregular, impulsionada por uma força de lucros recorde — pelo menos no mercado americano —, a próxima fase da atenção dos investidores se voltará mais para o cenário macro: bancos centrais e inflação, o que muito provavelmente significa um período mais turbulento."
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