Mundo e segurança

Sob a ofensiva contra o "Estado profundo", sistema de inteligência dos EUA sofre desmontagem sistemática; operação na Venezuela evidencia nova linha de conduta dominada por leais

De acordo com a NPR, no segundo mandato de Trump, em nome do combate ao suposto "Estado profundo", o sistema de inteligência dos EUA foi massivamente reestruturado, com cortes no Departamento de Segurança Interna e no Escritório do Diretor de Inteligência Nacional, e leais com experiência limitada foram instalados para dirigir instituições-chave. Em janeiro, sob supervisão em tempo real em Mar-a-Lago, as Forças Armadas dos EUA capturaram o líder venezuelano Maduro e o levaram a Nova York para ju

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De acordo com a NPR, em 3 de janeiro deste ano, o presidente Trump supervisionou em tempo real, em Mar-a-Lago, na Flórida, uma operação das Forças Armadas dos EUA — o secretário de Defesa Hegseth e o diretor da CIA, Ratcliffe, estavam ao seu lado. No mesmo dia, as Forças Armadas capturaram na Venezuela o líder venezuelano Nicolás Maduro e o levaram para Nova York, onde enfrentará acusações criminais. A cena colocou os membros centrais da equipe de segurança nacional do segundo mandato de Trump sob os holofotes — justamente aqueles que os críticos questionam.

"Não posso, em sã consciência, continuar trabalhando para um presidente que pretende transformar o trabalho de minha vida e de outros em uma arma contra os americanos, e é exatamente isso que ele está fazendo", disse Steven Cash à NPR, ex-funcionário da CIA, da Comissão de Inteligência do Senado e do Departamento de Segurança Interna. Ele renunciou voluntariamente quando Trump iniciou seu segundo mandato. Hoje, ele lidera uma organização privada chamada "Steady State", com mais de 400 membros, composta por ex-funcionários de carreira de governos republicanos e democratas, fortemente críticos das políticas de Trump.

"Em 2025, saltamos diretamente do penhasco", disse Cash. "Todo o acúmulo desapareceu, e estamos destruindo nossa comunidade de inteligência."

A reconstituição feita pela NPR apresenta uma linha clara: os ataques de 11 de setembro de 2001 obrigaram a comunidade de inteligência dos EUA a uma reestruturação abrangente. O Departamento de Segurança Interna foi criado e conta hoje com cerca de 250 mil funcionários, sendo a segunda maior agência governamental, atrás apenas do Pentágono; o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional foi estabelecido para coordenar as atuais 18 agências de inteligência independentes; a CIA tem cerca de 20 mil funcionários. Essas reformas produziram resultados concretos: em 2011, a localização e morte de Osama bin Laden, a destruição da Al-Qaeda e, posteriormente, a desarticulação do Estado Islâmico. O território dos EUA não sofreu um ataque de igual magnitude desde 11 de setembro.

Trump atribui tudo isso à obstrução do "Estado profundo" ao presidente. Ao anunciar os planos para seu segundo mandato, declarou: "Vamos eliminar todos os atores corruptos nas agências de segurança nacional e inteligência, e não são poucos." De acordo com a NPR, Trump reduziu o Departamento de Segurança Interna, o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional e outras agências, e colocou pessoas consideradas de alta lealdade, mas com experiência limitada — além de Hegseth e Ratcliffe, inclui Kash Patel, que dirige o FBI.

O escritor Tim Weiner, que acompanha o sistema de inteligência dos EUA há décadas, disse à NPR: "Trump está realizando uma desmontagem planejada da segurança nacional, assim como fez com a Ala Leste da Casa Branca." Ele critica: "As pessoas que ele colocou — Hegseth no Pentágono, Patel no FBI, Ratcliffe na CIA — são bajuladores. Eles dirão ao presidente o que ele quer ouvir, não o que ele precisa ouvir."

A reestruturação já trouxe custos diplomáticos quantificáveis. A NPR aponta que a CIA tem apenas cerca de 20 mil pessoas e não consegue cobrir o mundo; depende do compartilhamento de informações com agências de inteligência estrangeiras de países aliados, ou nem tanto, como Reino Unido, Holanda e Arábia Saudita. Weiner alerta que essa cooperação, "que era relativamente fácil de obter após o 11 de Setembro, hoje é muito mais difícil".

Enquanto isso, a prioridade de recursos sofre uma clara mudança de rumo. O ex-funcionário da CIA Mark Polimerapoulos disse à NPR: "A luta antiterrorista está cedendo espaço às ameaças da China e da Rússia, e a atenção deste governo às fronteiras e ao tráfico de drogas significa que os recursos estão sendo redirecionados para as Américas." Ele alerta que a luta antiterrorista "não será mais prioridade até que ocorra um evento com grandes baixas, e então voltará a se tornar urgente".

A reportagem da NPR apresenta em paralelo a transferência de recursos para as Américas e a operação militar contra a Venezuela no início de janeiro: Maduro foi capturado e levado para o território dos EUA para julgamento — a base legal e os argumentos de direito internacional da operação não foram detalhados na reportagem original. A sincronia temporal entre os dois fatos ecoa as preocupações dos críticos sobre "decisões dominadas por leais e com falta de freios e contrapesos".

John Sifer, que trabalhou na CIA por quase 30 anos com foco nos assuntos russos, expressou à NPR uma preocupação mais profunda: "Deixamos a raiva partidária — especialmente do governo Trump — criar uma narrativa: a de que existe um Estado profundo e de que as agências de inteligência trabalham para um partido. Creio que isso é um perigo real."

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