Mundo e segurança

230 vidas, um ano, zero provas: Ataques marítimos dos EUA na América Latina mudam para cooperação com aliados, mas mantêm opção de afundar embarcações unilateralmente

Segundo o The Guardian, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, admitiu que a estratégia antidrogas na América Latina do governo Trump está mudando para a cooperação com aliados regionais e para o respeito às suas leis, mas também deixou claro que as forças armadas dos EUA "ainda afundarão embarcações se necessário". O mais recente ataque no Mar do Caribe elevou o número acumulado de mortes nessa operação para pelo menos 230 pessoas. A identidade das vítimas rotuladas como "narcoterroristas

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O mais recente ataque marítimo dos EUA no Mar do Caribe matou três pessoas, elevando para pelo menos 230 o número acumulado de mortes nessa operação unilateral letal de um ano, realizada em nome do combate ao tráfico de drogas. Segundo o The Guardian, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante visita a Quito, capital do Equador, admitiu que a estratégia do governo Trump está mudando para a cooperação com aliados latino-americanos e para o respeito às suas leis, mas ao mesmo tempo deixou claro que as forças armadas dos EUA "ainda afundarão embarcações se necessário".

As declarações de Rubio vieram logo após o Comando Sul dos EUA anunciar o ataque na noite de quarta-feira. Esta ação foi a 69ª de uma série de ataques marítimos contra embarcações supostamente operadas por "narcoterroristas" desde setembro de 2025, causando pelo menos 230 mortes. O governo Trump nunca divulgou qualquer prova para sustentar a acusação de "narcoterrorismo".

Segundo o The Guardian, Rubio afirmou a jornalistas em Quito que o fato de países estarem dispostos a participar de operações em suas águas territoriais representa um "progresso sem precedentes". No entanto, enfatizou que as decisões específicas serão tomadas "caso a caso, de acordo com a ameaça e a localização da embarcação em cada ataque ou operação". Isso significa que, embora os EUA estejam em transição para o estabelecimento de acordos de operações conjuntas com países como Colômbia e Equador — envolvendo transferência de pessoal e destruição de embarcações — a opção de ataques letais unilaterais não foi abandonada.

O novo modelo de cooperação contrasta com a abordagem de um ano atrás. Segundo a reportagem, em recentes operações de interceptação em águas latino-americanas, pessoal dos EUA primeiro transferiu as pessoas de embarcações de reabastecimento flutuantes que supostamente apoiavam o tráfico de drogas para as autoridades equatorianas, e em seguida as forças armadas dos EUA afundaram as embarcações. Já os ataques unilaterais iniciais disparavam diretamente contra embarcações em alto-mar, matando os alvos no local.

A visita de Rubio a Quito faz parte de uma viagem a três países destinada a reforçar a cooperação em segurança com líderes conservadores sul-americanos aliados de Trump. Nesta operação que já causou pelo menos 230 mortes e acumulou 69 ataques, os critérios para a designação de "narcoterroristas" e a identidade das vítimas nunca foram corroborados publicamente pelo governo Trump, e a verificação por fontes independentes também é impossível.

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