Poder e política

Ataques dos EUA a petroleiros iranianos fazem petróleo Brent ultrapassar novamente os 100 dólares, intensificando pressão sobre inflação global e alta de juros

Os EUA bombardearam cinco petroleiros iranianos durante a noite, e o Irã retaliou com ataque de mísseis contra forças dos EUA na Jordânia e ataques ao transporte marítimo, fazendo o petróleo Brent ultrapassar os 100 dólares por barril no dia 9. Os rendimentos de títulos benchmark nos EUA, Japão e alguns países europeus subiram para máximas de vários anos, o BCE deve elevar os juros esta semana e aumentam as preocupações com a pressão sobre o sistema financeiro global.

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O petróleo Brent ultrapassou a barreira de 100 dólares por barril no dia 9, cotado a 100,19 dólares, o nível mais alto desde 24 de julho, quando o memorando de entendimento entre EUA e Irã ainda vigorava e os preços do petróleo estavam em canal de baixa. Segundo reportou a Al Jazeera, o fator deflagrador direto desse salto foram os bombardeios noturnos dos EUA contra cinco navios-tanque iranianos transportadores de petróleo, após os quais o Irã retaliou com ataques de mísseis contra tropas dos EUA na Jordânia e realizou golpes retaliatórios contra o transporte marítimo.

Segundo reportou a Al Jazeera, o secretário de Estado dos EUA, Rubio, afirmou explicitamente que Washington continuará a atacar petroleiros iranianos em resposta às supostas tentativas de ataque contra navios de guerra norte-americanos. Essa declaração colocou em evidência a intenção dos EUA de manter ativamente a pressão militar, o que significa que a "guerra dos petroleiros" em torno do Estreito de Ormuz e do Golfo Pérsico não arrefecerá no curto prazo.

O retorno do petróleo aos três dígitos está pressionando famílias comuns e finanças públicas em múltiplas dimensões. Segundo reportou a Al Jazeera, no dia os três principais índices de Wall Street — S&P 500, Dow Jones e Nasdaq — fecharam em leve queda; as bolsas europeias caíram para o mínimo de uma semana, com ações dos setores industrial e bancário liderando as perdas; futuros de blue chips canadenses também recuaram ligeiramente. Os mercados asiáticos oscilaram, mas as ações de tecnologia continuaram a se recuperar das mínimas de julho sustentadas pelo boom da inteligência artificial.

A pressão sobre o mercado de títulos é mais duradoura. Segundo dados de mercado citados pela Al Jazeera, desde que EUA e Irã retomaram os ataques mútuos no final de agosto, os rendimentos de títulos benchmark nos EUA, Japão e alguns países europeus subiram para máximas de várias décadas, e o aumento dos custos de endividamento dos governos está gerando preocupações sobre a saúde das instituições financeiras globais. A recuperação das expectativas inflacionárias transmite-se diretamente à política monetária — o Banco Central Europeu prevê elevar os juros na quinta-feira, e o Federal Reserve se reunirá na próxima semana para decidir se acompanha.

De Wall Street ao mercado de títulos europeus, traders estão reprecificando o ciclo de aperto monetário impulsionado pelo petróleo. Segundo citou a Al Jazeera, a analista sênior do Saxo Bank, da Suíça, Ipek Ozkardeskaya, afirmou: "Durante todo o verão, o mercado depositou esperanças na conclusão de um acordo de paz. Com a chegada de setembro, esse otimismo está se dissipando." O estrategista multiactivos do Société Générale, Manish Kabra, classificou os 100 dólares como um "limiar psicológico" e não econômico, e alertou: "Acreditamos que o petróleo precisa subir para 150 dólares para realmente interromper o ciclo de demanda." Ele também apontou que a alta dos preços do diesel pode se transmitir ainda mais para a inflação no setor de serviços.

Os bombardeios noturnos dos EUA contra cinco petroleiros e a declaração pública de Rubio de que continuará os ataques significam que a guerra dos petroleiros já não se limita aos confrontos no mar. O que o petróleo a 100 dólares está alavancando são a alta dos juros pelos bancos centrais, o aumento das contas de energia das famílias, a elevação dos custos da dívida pública e a reprecificação de ativos de risco pelo capital global — esses custos estão sendo transmitidos, por meio da inflação e dos juros, aos consumidores e trabalhadores comuns distantes do Golfo Pérsico.

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