Mundo e segurança

Ataques russos matam 15 civis na Ucrânia, incluindo 3 crianças; Kiev reivindica 'ataque mais profundo' contra o Ártico; Canadá anuncia 350 milhões em defesa aérea

Autoridades ucranianas afirmaram que as forças russas lançaram ataques contra várias cidades da Ucrânia na quinta-feira (10 de setembro), causando a morte de pelo menos 15 civis, incluindo 3 crianças no ataque a um centro comercial em Sumy, 2 marinheiros azerbaijanos em um rebocador civil no porto de Odessa, e mais de 60 feridos em Pavlohrad. No mesmo dia, forças especiais ucranianas reivindicaram ter realizado um ataque contra duas usinas de processamento de gás natural no Distrito Autônomo de

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Na quinta-feira (10 de setembro), as forças Armadas russas lançaram ataques contra várias cidades da Ucrânia. Segundo dados divulgados por autoridades ucranianas e governos locais, os ataques causaram a morte de pelo menos 15 civis e mais de 80 feridos. Entre os mortos estão 4 pessoas em Pavlohrad, 4 em Mykolaiv, 3 em Sumy, 2 em Dnipro, além de 2 marinheiros azerbaijanos que morreram no rebocador civil 'TEDY', atingido na região de Odessa.

Segundo reportagem da Al Jazeera, em Sumy, um drone a jato atingiu um centro comercial, deixando pelo menos 14 feridos, sendo as 3 vítimas mortais todas crianças. O chefe da Administração Militar do Oblast de Sumy, Oleh Hryhorov, confirmou os números de vítimas pelo Telegram. A Promotoria do Oblast de Dnipropetrovsk informou que o ataque a Pavlohrad deixou mais de 60 feridos, com várias lojas e veículos danificados. O governador interino do Oblast de Mykolaiv, Heorhiy Reshetilov, afirmou pelo Telegram que o ataque noturno à cidade matou 2 homens e 2 mulheres e deixou pelo menos 19 feridos.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, em comunicado sobre o ataque a uma fábrica de óleo de girassol em Dnipro, declarou: 'Isso não é coincidência, mas parte da ação terrorista sistemática de Moscou contra empresas e interesses econômicos dos Estados Unidos.'

As descrições dos alvos dos ataques pelas partes russa e ucraniana divergem acentuadamente. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que o ataque a Mykolaiv teve como alvo um depósito de drones, enquanto os ataques ao porto de Chornomorsk e a embarcações próximas a Odessa miraram navios de carga usados para transportar material militar. A Ucrânia descreveu os ataques como direcionados a instalações civis. As duas versões são contraditórias, e a verificação independente é limitada.

A escala da contraofensiva da Ucrânia contra o território russo expandiu-se simultaneamente. Forças especiais ucranianas divulgaram comunicado na plataforma X reivindicando ataques contra duas usinas de processamento de gás natural, Novy Urengoi e Provensy, localizadas no Distrito Autônomo de Iamália-Nenets, e descreveram o ataque como 'o mais profundo contra o território russo desde o início da guerra em larga escala', a uma distância superior a 3.000 quilômetros. A Ucrânia afirmou que essas duas fábricas desempenham papel fundamental na indústria do gás natural russa, processando milhões de toneladas de condensado por ano. Novy Urengoi é um importante polo de processamento de gás natural e condensado na região ártica russa.

Contudo, as versões sobre a distância do ataque divergem entre as partes. O governador russo Dmitri Artiukhov afirmou que o local do incidente fica a aproximadamente 2.800 quilômetros da fronteira ucraniana, e não mais de 3.000 quilômetros como declarado pela Ucrânia. O governador disse que o alvo do ataque foi uma instalação industrial em Novy Urengoi, que o ataque foi repelido, mas que destroços de drones provocaram um incêndio, sem registro de vítimas. O representante do Kremlin na região dos Urais, Artiom Joga, afirmou que o ataque atingiu pela primeira vez na história a parte ártica da região. A dimensão dos danos e os impactos duradouros ainda carecem de verificação independente.

O reforço da assistência militar avança em paralelo com a prolongação do conflito. Segundo reportagem da Al Jazeera, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, recebeu Zelensky em Calgary na quinta-feira e anunciou o fornecimento de 350 milhões de dólares canadenses (cerca de 260 milhões de dólares americanos) em interceptadores de defesa aérea por meio do mecanismo americano 'Jumpstart', além de assinar um acordo de cooperação para produção de drones com a parte ucraniana. Após assinar outro acordo com Zelensky, Carney afirmou que Canadá e Ucrânia trabalharão para firmar uma 'parceria centenária' e declarou que 'o Canadá estará sempre ao vosso lado'. Zelensky classificou os acordos como 'sérios' e afirmou que ajudarão a proteger o 'céu' da Ucrânia.

O anúncio canadense de ajuda ocorre em meio à escalada contínua de ataques contra a infraestrutura civil ucraniana. No mesmo dia, o primeiro-ministro da Ucrânia, Serhii Korietsky, advertiu que os ataques russos contra empresas e instalações civis 'estão crescendo rapidamente' e anunciou medidas adicionais de apoio às empresas afetadas. O arcabouço da 'parceria centenária' do Canadá insere a assistência atual de defesa aérea e a integração da capacidade de produção de drones em um compromisso de longo prazo que se estende por um século — compromisso este que surge justamente no momento em que o sistema de defesa aérea ucraniano atravessa escassez persistente e as baixas civis seguem aumentando.

Zelensky afirmou na quinta-feira que não haverá reunião tripartite para encerrar a guerra antes das eleições legislativas russas, marcadas para 20 de setembro. Ele afirmou que negociadores ucranianos e norte-americanos mantêm contato contínuo e espera avançar nas negociações sobre exportações de energia e grãos após se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no fim de setembro. No início do mês, Zelensky havia declarado que os drones ucranianos tornarão o espaço aéreo russo 'totalmente inseguro' durante toda a guerra; o ataque às usinas de processamento de gás natural dentro do Círculo Polar Ártico estende essa declaração ao território mais estratégico por onde passa a exportação de energia russa.

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