Poder e política

Dividendo de Trump: como uma promessa de 1,3 trilhão de dólares se conecta a uma guerra não encerrada com o Irã

No primeiro comício nacional de meio de mandato promovido pelo Partido Republicano durante o mandato presidencial, realizado em Dallas, Texas, Trump prometeu distribuir 5 mil dólares a cada adulto americano caso os republicanos mantenham o controle da Câmara e do Senado. Este plano, de aproximadamente 1,3 trilhão de dólares, surge simultaneamente à guerra com o Irã iniciada pelos EUA e Israel em fevereiro e que continua elevando os preços do petróleo e o custo de vida, evidenciando o processo pe

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Segundo a BBC, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta terça-feira, 9, em Dallas, Texas, durante o comício nacional do Partido Republicano para as eleições de meio de mandato, uma promessa eleitoral de valor surpreendente: caso os republicanos mantenham a maioria na Câmara e no Senado em 3 de novembro, ele distribuirá 5 mil dólares em dinheiro a cada cidadão adulto americano e exigirá que os recursos sejam gastos dentro do território dos EUA. Esta é a primeira vez que o Partido Republicano realiza um comício nacional de meio de mandato durante o mandato presidencial.

Considerando a população adulta dos EUA de aproximadamente 270 milhões de pessoas, este plano, batizado de "Dividendo de Trump", tem um gasto total potencial de cerca de 1,3 trilhão de dólares. Em seu discurso, Trump não explicou de onde virão os recursos nem mencionou se solicitará autorização de dotação ao Congresso — embora nos EUA qualquer despesa federal precise ser aprovada pelo Congresso para ser legalizada.

A explicação oficial sobre a origem dos recursos também é vaga. Segundo a BBC, o vice-presidente Vance vinculou essa despesa à receita de tarifas alfandegárias sobre importações, mas a Casa Branca ainda não respondeu aos questionamentos da BBC sobre como o plano funcionaria e como seria fiscalizada a restrição de consumo "dentro do território americano".

A promessa está embutida em uma guerra que ainda arde. A BBC aponta que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã em fevereiro deste ano; a retaliação iraniana incluiu ataques contra bases militares dos EUA no Golfo e contra aliados, além do fechamento praticamente total do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial. Os preços internacionais do petróleo oscilaram em consequência, e parte da alta de preços nos Estados Unidos é atribuída a esse conflito.

O próprio Trump admitiu aos seus apoiadores que a guerra não terminará antes do fim das eleições de meio de mandato e que os preços do petróleo não cairão antes da votação. Justificando a guerra pela prevenção ao desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã, ele argumentou que "o sofrimento econômico de curto prazo vale a pena". Seu longo discurso em Dallas abordou diretamente o impacto dessa guerra no padrão de vida dos americanos, e sua promessa em nome do "aumento do poder de consumo da população" foi recebida com aplausos entusiasmados no local.

Trump declarou no local: "Se os republicanos vencerem a Câmara dos Representantes e o Senado dos EUA, com vitórias nas duas casas, eu distribuirei um dividendo de 5 mil dólares a cada cidadão adulto americano." Ele também enfatizou: "Não queremos que vocês levem o dinheiro para o Canadá, nem que o enviem para a China ou Alemanha. Vocês precisam gastar o dinheiro nos Estados Unidos." Segundo a BBC, ainda não há uma explicação clara sobre como o dinheiro seria restrito ao consumo doméstico.

A BBC cita o ex-analista estratégico republicano e especialista em pesquisas de opinião Robert Mulan, que descreve a proposta como "uma promessa de campanha a menos de dois meses da votação" e observa que o partido governista historicamente tende a perder cadeiras nas eleições de meio de mandato. Mulan qualificou a medida como "uma solução criativa para um problema interessante".

O Partido Democrata já classificou o plano como "cheque sem fundo". Controvérsias sobre sua legalidade também surgiram no levantamento da BBC: a lei federal americana proíbe pagamentos a indivíduos com o objetivo de influenciar o voto, mas alguns especialistas jurídicos afirmaram à imprensa que promessas em contexto eleitoral podem ser consideradas planos de redução de impostos ou discurso político protegidos pela Primeira Emenda da Constituição. John Day, advogado do Novo México, disse à Associated Press que a promessa é uma promessa de campanha dirigida a todos os cidadãos adultos, e não um "pagamento a indivíduos em troca de votarem de determinada forma", sendo, portanto, legal. Outros especialistas em direito eleitoral afirmaram ao The New York Times que a promessa de Trump também está protegida pela cláusula de liberdade de expressão da Primeira Emenda.

O volume de 1,3 trilhão de dólares em gastos já ultrapassa em muito o que qualquer receita de tarifas poderia sustentar, e os destinatários da promessa são justamente famílias americanas que enfrentam a inflação em tempos de guerra. Uma guerra deflagrada pelos EUA e Israel, mas que transfere a alta dos preços do petróleo e a pressão do custo de vida para o cidadão comum americano, tem seus custos econômicos sendo reembalados como "dividendo" e vendidos sob a condição de se manter o controle da Câmara e do Senado. Quando Trump diz aos eleitores americanos que "o sofrimento econômico de curto prazo vale a pena", o cheque de 1,3 trilhão de dólares que ainda não tem origem definida é justamente a forma mais recente, na campanha eleitoral, da conta dessa guerra.

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