Mundo e segurança

Exército russo prolonga ataques aéreos corroendo cotidiano da Ucrânia, janela de mediação ocidental torna-se único fôlego

Desde meados de agosto, a frequência e duração dos ataques aéreos russos contra a Ucrânia continuam a aumentar, arrastando a vida cotidiana dos civis em cidades como Kiev para uma crise sistêmica; durante a visita de negociadores americanos, houve um breve silêncio de três dias, destacando a dependência estrutural da sobrevivência dos civis ucranianos em relação à janela diplomática ocidental.

2 visualizaçõesEntre para salvar
TRUTH ERA

De acordo com reportagem da Al Jazeera, desde meados de agosto, os ataques aéreos russos contra a Ucrânia foram totalmente intensificados em termos de frequência e duração, arrastando a vida cotidiana dos civis em Kiev e em todo o país para uma crise sistêmica. O presidente ucraniano Zelensky afirmou publicamente em 6 de setembro que a nova tática de Moscou visa "intimidar com intensidade sem precedentes o nosso povo, as nossas cidades e aldeias".

As estatísticas do portal ucraniano UA.news delineiam a trajetória dessa escalada — mas a metodologia e a integridade amostral do portal não foram verificadas independentemente: de junho ao início de agosto, a Ucrânia enfrentava em média 5 ataques aéreos por semana, com duração acumulada de apenas 2,3 horas; na terceira semana de agosto, subiu para 12 ataques e 7,9 horas; na quarta semana de agosto, saltou ainda mais para 34 ataques, com duração acumulada de até 23,2 horas.

Ainda mais alarmante é a mudança na forma dos ataques: o número de drones e mísseis por incursão diminuiu, mas o tempo tornou-se imprevisível — os alertas de ataques aéreos frequentemente soam no meio da noite, prendendo centenas de milhares de residentes em estações de metrô, abrigos antiaéreos e porões por horas a fio, com reuniões de trabalho, aulas e operações comerciais sendo repetidamente interrompidas.

No mais recente ataque, que durou 6 horas, o fogo russo causou 5 mortos e 35 feridos, além de provocar vários incêndios. A reportagem da Al Jazeera descreve a situação de Olena Krakovska, residente da margem esquerda do rio Dnieper em Kiev: esta mãe solteira de 42 anos vende ferramentas de manicure no subsolo de um shopping center e, para ela, "haja ou não ataque aéreo, estou no abrigo". A situação em casa é completamente diferente — "Houve tantos ataques aéreos ultimamente. Meu cérebro não consegue funcionar normalmente e meus movimentos ficaram descoordenados".

Os ataques do exército russo contra armazéns ucranianos também causaram escassez de alguns alimentos e medicamentos, obrigando os residentes a prolongar o tempo de compras. As autoridades da capital suspenderam o funcionamento do metrô sob o rio Dnieper durante os ataques aéreos; Krakovska chegou a esperar quase 3 horas em uma estação de metrô em uma noite de agosto, durante as quais ficou constantemente checando canais do Telegram para acompanhar o andamento dos alertas, preocupada com o esgotamento da bateria do telefone e a segurança dos filhos.

A situação das crianças é igualmente angustiante. Os dois filhos de Krakovska — Bohdan, de 12 anos, e Volodymyr, de 10 — começaram as aulas em 1º de setembro, mas depois de apenas dois dias no abrigo antiaéreo adaptado no porão da escola, a mãe decidiu mandá-los para casa para terem aulas online. No entanto, com os videogames ao alcance, as crianças quase não conseguem se concentrar nas aulas — "Eles não convivem com os amigos, não saem para brincar. Brigam entre si e a atenção deles às aulas e ao dever de casa também diminuiu".

A reportagem da Al Jazeera também revela um detalhe que expõe as limitações da mediação ocidental: no início de setembro houve um breve silêncio — quando negociadores americanos visitaram Moscou e Kiev, a Rússia cessou o bombardeio contra Kiev por três dias consecutivos (se este gesto russo constitui um sinal diplomático deliberado ainda carece de confirmação oficial de ambas as partes). Mas depois que os negociadores partiram, os ataques foram retomados imediatamente.

Este ritmo evidencia a dependência estrutural da sobrevivência dos civis ucranianos: fora das janelas diplomáticas ocidentais, eles quase não dispõem de qualquer mecanismo de amortecimento contra a pressão sistêmica dos ataques aéreos. O engenheiro de software Roman (que pediu para não ser identificado porque seus principais clientes são empresas de defesa), entrevistado pela Al Jazeera, descreveu sua forma de lidar após enfrentar 3,5 horas de congestionamento — ele prefere se comunicar com colegas e clientes pelo Zoom e já começou a tomar antidepressivos e soníferos. "Senão eu só conseguiria ficar deitado ouvindo, pensando, ouvindo, pensando". Sua companheira, a instrutora de ioga Alisa, acrescenta: "Nos acostumamos com coisas que só tínhamos visto em filmes de terror".

Diante do inverno que se aproxima — que geralmente significa uma nova rodada de ataques contra a infraestrutura energética e apagões exaustivos — os ucranianos estão mantendo o funcionamento com humor negro, resiliência e criatividade. Olha Bondar, vendedora de frutas de 49 anos, opera sua barraca em uma passagem subterrânea, e sua magra renda extra foi consumida pela guerra. Ela e seu filho Vadym fugiram poucos dias antes de o exército russo ocupar a cidade oriental de Volnovakha em 2022 — a cidade, que antes da guerra tinha cerca de 20 mil habitantes, está hoje em sua maior parte em ruínas. Ela sente impotência em relação aos parentes que permaneceram na região e não saíram devido a tendências pró-Rússia: "Eles culpam Kiev e o Ocidente pela morte, destruição e sujeira ao redor".

Comentários

0

Ainda não há comentários. Inicie a discussão.