Ministro das Relações Exteriores de Bangladesh assume presidência da AG e aponta que "arquitetura de 1945" do Conselho de Segurança já não é adequada
O ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Rahman, assumiu oficialmente em 9 de setembro a presidência da 81ª Assembleia Geral da ONU, apelando a reformas "significativas" nas Nações Unidas — especialmente no Conselho de Segurança — para recuperar a confiança pública, afirmando diretamente que "isto não é 1945". A posse deste diplomata oriundo de um país em desenvolvimento do Sul da Ásia confere uma nova voz ao descontentamento de longa data do Sul Global com a arquitetura de poder do pós
O presidente da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU e ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Rahman, tomou posse oficialmente em 9 de setembro, em Nova Iorque, e direcionou suas críticas para o Conselho de Segurança — esta arquitetura de poder remanescente da Segunda Guerra Mundial —, conclamando mudanças "significativas" para restaurar a confiança pública.
De acordo com o jornal The Hindu, Rahman afirmou, em coletiva de imprensa ao responder a perguntas da Press Trust of India, que o atual sistema da ONU já não está apto para enfrentar os desafios do século XXI. Ele declarou: "Isto não é 1945, não estamos na Conferência de São Francisco." A frase direciona diretamente a crítica à distribuição de poder estabelecida em 1945 com a assinatura da Carta das Nações Unidas — em que os cinco membros permanentes dominam o Conselho de Segurança por meio do poder de veto —, uma arquitetura que pouco sofreu ajustes substantivos ao longo das últimas oito décadas.
Rahman afirmou: "A confiança está em déficit, e esta organização deve realizar reformas mais profundas para se adequar ao futuro — não apenas ao hoje, mas ao amanhã." Ele também advertiu que, caso as reformas não ajudem a recuperar a confiança pública, serão vistas como "cosméticas" ou "marginais". "Eu encaro esta reforma com muita, muita seriedade", acrescentou.
O novo presidente da Assembleia Geral manifestou que dará continuidade à "Iniciativa UN80" promovida pelo secretário-geral da ONU, Guterres, que visa tornar o sistema da ONU mais enxuto, eficiente e coordenado. Rahman disse: "O mundo avançou, e esta organização também precisa avançar; vou ajudar a impulsionar este processo."
Rahman foi eleito em junho de 2026 presidente da 81ª Assembleia Geral, com mandato iniciado a partir da abertura da Assembleia Geral em 8 de setembro, sucedendo a ex-ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Baerbock. Como diplomata oriundo de um país em desenvolvimento do Sul da Ásia, a própria posse de Rahman injeta nesta longa discussão sobre a reforma do Conselho de Segurança uma perspectiva vinda do Sul Global.
A reforma do Conselho de Segurança é um dos temas mais longevos e sensíveis da agenda da ONU. Desde a década de 1990, propostas para ampliar os assentos permanentes, limitar ou abolir o poder de veto foram repetidamente apresentadas, mas permanecem estagnadas há anos devido à dificuldade de alcançar consenso entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.
O próprio Rahman manteve uma postura realista quanto às perspectivas de reforma. Ele reconheceu francamente: "Não sou ingênuo a ponto de pensar que tudo pode ser resolvido de forma rápida e amigável. Algumas questões nunca serão resolvidas; outras precisarão de tempo para encontrar uma solução. Tudo bem. Mas isso não deve nos impedir de buscar consenso onde for possível."
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