Mundo e segurança

Ordem de Ruto para fechar pequenos negócios de estrangeiros entra em vigor; burundeses no Quênia acorrem à embaixada em Nairóbi para fazer fila e sair do país

O presidente do Quênia, Ruto, exige que pequenos negócios operados por estrangeiros fechem até a segunda-feira com a justificativa de que "ainda não foi construída a confiança de investidores para vendedores ambulantes". Centenas de burundeses imediatamente acorreram à embaixada do Burundi em Nairóbi para fazer fila e obter documentos de saída. Esta ordem reflete o desequilíbrio de poder entre a potência econômica regional e o membro mais pobre da Comunidade da África Oriental, bem como o impact

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TRUTH ERA

Segundo reportagem da Africanews, centenas de burundeses residentes no Quênia acorreram na segunda-feira à embaixada do Burundi localizada em Nairóbi, onde ficaram em fila por horas para processar documentos de viagem, preparando-se para deixar este país vizinho da África Oriental do qual tiravam seu sustento. O gatilho desta onda de partidas foi uma ordem emitida na semana passada pelo presidente do Quênia, William Ruto, sob a justificativa de que "ainda não foi construída a confiança de investidores para vendedores ambulantes" — pequenos negócios operados por estrangeiros deveriam fechar até a segunda-feira.

Imagens do local mostram filas de pessoas segurando grandes envelopes marrons do lado de fora da embaixada, com malas e sacos plásticos empilhados no pátio. O pastor burundês Jean-Baptiste Ndayizeye, em entrevista à AFP, afirmou: "Expulsaram-nos como se afugentássemos animais." Ele alega que dois de seus vizinhos foram atacados e roubados, e comparou a situação atual à violência xenófoga anteriormente ocorrida na África do Sul: "O que os sul-africanos fizeram aos estrangeiros é a mesma coisa que os quenianos estão fazendo." A AFP declarou não poder verificar independentemente essas alegações.

O Quênia há muito atrai imigrantes dos países membros da Comunidade da África Oriental (EAC), organização regional que concede aos cidadãos de seus membros o direito à livre circulação de pessoas. O Burundi é membro da EAC, tem cerca de 15 milhões de habitantes e é um dos países mais pobres do mundo; já o Quênia é reconhecido como o motor econômico da região. No âmbito da integração regional, burundeses entram legalmente no Quênia para ganhar a vida, mas a ordem de fechamento emitida por Ruto deixou muitos burundeses que dependem do comércio ambulante privados de meios de subsistência.

Outro burundês, Eric Bizimana, chegou a Nairóbi em 2022, após anos de desemprego em seu país, e afirmou que os altos custos o fizeram desistir de solicitar uma autorização de trabalho. Um motorista queniano que conduzia uma motocicleta levando dois burundeses à embaixada, Philimon Jayika Adamba, disse: "Eles estão muito tristes ao partir. Isso não é justo."

Pressão dos países vizinhos e declaração de "má interpretação"

O ministro das Relações Exteriores do Burundi, Edouard Bizimana, publicou em sua conta na plataforma social X uma mensagem condenando "a violência contra estrangeiros, especialmente burundeses", e afirmou explicitamente: "O governo do Quênia tem a responsabilidade pela segurança da vida dos burundeses que vivem no Quênia." Advertiu ainda: "Deixar que civis quenianos façam o trabalho da polícia passa a imagem de um Estado falido, pois equivale a permitir a violência, os roubos e os sentimentos xenófobos."

Diante da pressão dos países vizinhos, o vice-ministro das Relações Exteriores do Quênia, Korir Singo'i, deslocou-se na segunda-feira à embaixada para apresentar desculpas aos burundeses e qualificou as declarações do presidente como "mal interpretadas". Ele disse: "Em razão desse desvio de compreensão, muitas pessoas foram atacadas por vizinhos e amigos." Singo'i prometeu que a polícia protegerá as áreas onde foram relatados atos de violência, ao mesmo tempo em que enfatizou que o objetivo do governo é "conhecer suas condições de vida, localização, se possuem documentos de identidade e se o trabalho está registrado".

O porta-voz do governo do Quênia, Charles Owino, afirmou que as autoridades abriram uma "janela de registro de documentos formais" e instou os burundeses a se dirigirem à embaixada para apresentar a documentação pertinente. Ele reconheceu: "O governo reconhece que, por razões históricas e dinâmicas regionais, cidadãos de vários países da África Oriental, incluindo vários burundeses, vivem e operam no Quênia sem documentação completa."

No entanto, não está claro quais setores e nacionalidades são efetivamente alvo da ordem de fechamento de Ruto. Nesta onda de partidas, os imigrantes burundeses que dependem do comércio ambulante foram os mais diretamente afetados; porém, quanto à escala e ao grau de sistematicidade dos ataques violentos contra burundeses, existem apenas relatos pessoais até o momento, sem estatísticas oficiais.

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