Mundo e segurança

Redução da ajuda ocidental ao Sudão provoca fechamento de dezenas de unidades de saúde, enquanto EUA pressionam por sanções da ONU

A drástica redução da ajuda dos EUA ao Sudão e os cortes de gastos por parte de alguns grandes países doadores europeus estão empurrando a infraestrutura de saúde remanescente do Sudão rumo ao colapso — 36 unidades e postos de saúde apoiados pelo International Rescue Committee foram forçados a fechar, e cerca de 470 mil pessoas perderão o acesso a serviços básicos de saúde. Ao mesmo tempo em que corta o financiamento humanitário, os EUA também pressionam a ONU a impor sanções aos dois lados em c

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[Elétrica] 36 unidades e postos de saúde apoiados pelo International Rescue Committee (IRC) no Sudão estão sendo forçados a fechar devido ao corte de financiamento, privando cerca de 473,7 mil pessoas do acesso a serviços básicos de saúde. Reportagem da Africa News citando alertas de várias agências de ajuda informa que essa onda de retiradas está empurrando o sistema de saúde deste país, dilacerado pela guerra há mais de três anos, rumo ao colapso total.

Segundo a Africa News, o diretor do IRC no leste do Sudão, Mohammed Mahdi, afirmou que as unidades fechadas estão distribuídas por várias regiões do Sudão e que, atualmente, apenas uma minoria de instituições se mantém em funcionamento com outras fontes de financiamento, mas "esse apoio transitório está previsto para durar somente até o final de setembro".

O impulso direto do corte de financiamento é a redução da ajuda americana. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que, depois que os EUA anunciaram no ano passado a redução da ajuda ao Sudão, os financiamentos de muitas instituições foram encerrados em junho deste ano; ao mesmo tempo, alguns dos principais países doadores europeus também cortaram seus gastos com a ajuda ao Sudão.

Essa retirada ocorre em um contexto em que o sistema de saúde sudanês já é extremamente frágil. Segundo a Africa News, desde que eclodiu em abril de 2023 o conflito total entre as Forças Armadas e a organização paramilitar "Forças de Apoio Rápido" (RSF), a guerra já provocou a morte de pelo menos 59 mil pessoas, o deslocamento de cerca de 13 milhões e a fome em algumas regiões. A Organização Mundial da Saúde já havia indicado, em setembro de 2024, que nas regiões mais afetadas pelos combates até 70% a 80% das unidades de saúde já estavam fechadas ou operando apenas de forma precária.

O campo de deslocados internos de Um Rakuba, no estado de Gadarif, no leste do Sudão, é a expressão mais direta da maré de retirada da ajuda. Estatísticas da Médicos Sem Fronteiras mostram que o número de agências de ajuda no campo e arredores caiu drasticamente de cerca de 35, em 2021, para menos de 10. O gerente de assuntos humanitários da MSF, Fabrizio Locuratolo, afirmou que o hospital apoiado pela organização "é agora a única linha de vida para refugiados e residentes locais".

Epidemias estão preenchendo o vazio da assistência médica. O gerente de saúde emergencial da Médicos Sem Fronteiras, Ali Almohammed, advertiu que "surtos graves já eclodiram" em várias regiões do Sudão. Em Darfur, o sarampo já se espalhou até o "nível de surto significativo", com cerca de 75% dos pacientes com sarampo não tendo sido vacinados; cólera e malária também se disseminam por todo o país.

O diretor técnico sênior de saúde do International Rescue Committee, Mesfin Teklu Tessema, descreveu a situação da seguinte forma: "Esses cortes estão privando a pouca capacidade que resta — fechando unidades, demitindo profissionais de saúde, cortando as cadeias de fornecimento de medicamentos e tratamento nutricional. O sistema já ultrapassou o limite."

Os EUA, enquanto cortam o financiamento humanitário de um lado, aumentam a pressão política do outro. Reportagem da Africa News aponta que Washington instou recentemente a ONU a impor sanções aos dois lados em conflito no Sudão, como forma de forçá-los a voltar à mesa de negociações. O abismo entre a retórica punitiva e a ação humanitária se manifesta, assim, de forma mensurável nas unidades de saúde de Darfur e Gadarif — clínicas fechadas, profissionais de saúde demitidos e surtos que se espalham na ausência de cuidados básicos.

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