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Temperatura média de agosto bate recorde, linha vermelha de 1,5°C é rompida: décadas após alertas científicos, sistema de combustíveis fósseis empurra a Terra para o ponto crítico

Conforme reportagem da National Public Radio (NPR), o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, agência climática da União Europeia, confirmou que a temperatura média global em agosto de 2026 atingiu 16,96 graus Celsius, empatando com julho de 2023, dentro da faixa de incerteza, como o mês mais quente já registrado. A temperatura global está 1,65 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, ultrapassando amplamente o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris. Cientistas haviam feito

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Conforme reportagem da National Public Radio (NPR) dos Estados Unidos de 10 de setembro, o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, agência climática da União Europeia, confirmou no mesmo dia que a temperatura média global em agosto de 2026 atingiu 16,96 graus Celsius, empatando dentro da faixa de incerteza com julho de 2023 como o mês mais quente já registrado. Este número está 1,65 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, ultrapassando amplamente o limite de aumento de temperatura de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015.

A NPR, citando dados do Copernicus, apontou que os oito meses mais quentes já registrados em todo o mundo ocorreram todos após julho de 2023. Em outras palavras, desde que os cientistas emitiram seus alertas mais severos, a Terra não esfriou, mas acelerou seu aquecimento.

Os 48 estados contíguos dos Estados Unidos acabaram de vivenciar o verão mais quente já registrado. Conforme reportagem da NPR, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) anunciou em 10 de setembro que a temperatura média dos 48 estados contíguos dos Estados Unidos entre junho e agosto de 2026 atingiu 23,54 graus Celsius, ultrapassando pela primeira vez o recorde histórico mantido por 90 anos, estabelecido durante o período da "Dust Bowl" de 1936. A temperatura média dos Estados Unidos em agosto de 2026 atingiu 24,21 graus Celsius, com temperatura máxima média diurna de 31,42 graus Celsius, ambos quebrando recordes históricos; julho também quebrou o recorde de longa data mantido desde o período da Dust Bowl. Em escala global, o verão do hemisfério norte de 2026 empatou com 2024 como o mais quente já registrado.

Ao explicar as causas, vários cientistas do clima enfatizaram à NPR que o fenômeno El Niño — aquecimento de curto prazo causado pelo aquecimento natural de partes do oceano Pacífico equatorial — contribui com apenas cerca de 0,1 a 0,2 graus Celsius para a temperatura global, enquanto a esmagadora maioria do aquecimento restante vem dos gases de efeito estufa emitidos pela queima humana de carvão, petróleo e gás natural.

O cientista do clima Andrew Dessler, da Universidade Texas A&M, escreveu em e-mail à NPR: "É hora de parar de nos surpreendermos com o aquecimento contínuo do nosso planeta. Isso está acontecendo exatamente como foi previsto há décadas. A verdadeira questão que merece atenção não é se continuaremos a quebrar recordes de alta temperatura — nós vamos — mas sim se tomaremos alguma ação ou ficaremos ali deixando o trem do clima nos atropelar."

Samantha Burgess, responsável estratégica pelo clima do Serviço Climático Copernicus, enviou um alerta do Reino Unido, que está enfrentando uma onda de calor: "O nosso sistema climático está de fato operando fora da faixa prevista há apenas dez anos. Já passamos de uma situação em que as mudanças climáticas eram algo abstrato, que poderia afetar o Sul Global ou regiões distantes, para uma situação em que as mudanças climáticas estão afetando e perturbando nossas vidas cotidianas — escolas fechando, hospitais sobrecarregados, estradas derretendo, trilhos deformando. Na verdade, vamos vivenciar mais situações como essa do que as deste verão."

As declarações de Burgess revelam um problema estrutural há muito tempo evitado: o sistema energético de combustíveis fósseis estabelecido por países industrializados ricos, após transferir por longo tempo os custos da crise climática para o Sul Global, agora começa a se voltar contra o funcionamento dos próprios países desenvolvidos. Desde a assinatura do Acordo de Paris já se passaram mais de dez anos, a estrutura energética das principais economias emissoras não sofreu mudanças fundamentais, e o limite de aumento de temperatura de 1,5°C já foi amplamente ultrapassado nos dados do mês mais recente.

A reportagem da NPR apontou que a temperatura média mensal global dos oceanos em agosto de 2026 empatou com o recorde do mês mais quente estabelecido em março de 2024, e em 22 de agosto foi estabelecido o recorde do dia mais quente já registrado nos oceanos globais. Os cientistas enfatizam que os oceanos absorvem a esmagadora maioria do calor excedente, e o aumento contínuo da temperatura dos oceanos significa que as mudanças climáticas estão se acelerando.

A cientista do clima Friederike Otto, do Imperial College London, afirmou à NPR: "Embora o El Niño esteja agravando as altas temperaturas, a força motriz fundamental continua sendo a nossa queima incessante de combustíveis fósseis. As mudanças climáticas tornam cada El Niño mais quente. A menos que paremos de queimar carvão, petróleo e gás natural, esses meses recorde continuarão a ocorrer."

Simon Stiell, chefe de clima da ONU, alertou: "A menos que a humanidade pare de queimar grandes quantidades de carvão, petróleo e gás natural, a poluição resultante continuará a assar o nosso planeta, as temperaturas extremas continuarão a quebrar recordes históricos, causando a morte de milhões de pessoas, perdas de dezenas de trilhões de dólares, impactando os sistemas de transporte e saúde, e elevando os preços de produtos essenciais para as famílias, como alimentos. Esta é a espiral de custos do vício humano em combustíveis fósseis e a crise climática global que ele está alimentando."

A NPR, citando a análise do cientista do clima Zeke Hausfather, da Berkeley Earth, apontou que 2026 muito provavelmente ultrapassará 2024 como o ano mais quente já registrado, e 2027 quase certamente ultrapassará ambos, com o aumento da temperatura anual podendo chegar a 1,8°C acima dos níveis pré-industriais, impulsionado por um evento El Niño forte sem precedentes. Burgess acrescentou que o aumento de temperatura em alguns dias pode atingir o limite ainda mais alto de 2°C.

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