Após mediação americana por cessar-fogo, Israel continua ocupando o sul do Líbano; EUA impulsionam fim da missão de paz e monitoramento da ONU
Segundo reportagem da NPR, seus jornalistas acompanharam a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) em incursão ao sul libanês controlado por Israel e testemunharam a construção de novas posições semipermanentes pelas forças israelenses e a recusa em reconstruir infraestruturas civis. Israel e os Estados Unidos atuam em conjunto para encerrar a missão de monitoramento de cessar-fogo da UNIFIL, em operação há 48 anos.
O cessar-fogo entre Líbano e Israel mediado pelos Estados Unidos não resultou em retirada. Segundo reportagem da NPR, seus jornalistas Jane Arraf e Jawed Rizcallah acompanharam a companhia finlandesa de reação rápida da UNIFIL em incursão ao sul do Líbano ocupado por Israel e testemunharam as forças israelenses erguendo novas posições semipermanentes no local e impedindo sistematicamente o retorno dos civis às suas casas.
A NPR descreveu o que observou ao longo do trajeto: "Já estamos a vários quilômetros dentro do território libanês ocupado por Israel e não se vê uma só pessoa num raio de quilômetros. É possível ver provas de que Israel está realmente aqui — em um prédio pelo qual acabamos de passar há duas bandeiras israelensas hasteadas, sobre uma paisagem completamente devastada — campos incendiados, casas demolidas."
O vice-comandante da UNIFIL, Hervé Le Cocq, afirmou à NPR que as forças israelenses já construíram novas posições semipermanentes no local e recusaram pedidos para restaurar a infraestrutura civil. Ao longo do caminho, eram visíveis placas de sinalização em hebraico e veículos militares israelenses ocultos sob redes de camuflagem. Segundo relatou a NPR, o ministro da Defesa de Israel afirmou que a destruição visa prevenir ameaças e deixou claro que Israel pretende assegurar que os residentes libaneses permaneçam sem lar.
As operações militares prosseguem. O governo libanês informa que, na última semana, ataques israelenses causaram pelo menos 28 mortes, incluindo mulheres e crianças — número que ainda não foi verificado por fontes independentes. Durante o deslocamento da coluna da UNIFIL, a NPR reportou que os jornalistas viram fumaça subindo e drones circulando nas proximidades da aldeia de Mansouri. As comunicações de rádio dos capacetes azuis finlandeses registraram a cena: "Há um drone bem em cima de Mansouri." "Há uma explosão, está saindo fumaça dali."
Há 48 anos, a missão da UNIFIL consiste em documentar violações do cessar-fogo ao longo da fronteira entre Líbano e Israel, sendo uma das mais longas operações de paz em atividade da ONU. Segundo a NPR, Israel e os Estados Unidos garantiram que a missão será encerrada ainda este ano, e os esforços para prorrogá-la "parecem ter poucas chances de sucesso". Isso significa que, no momento em que as forças israelenses erguem posições semipermanentes em territórios recém-ocupados e impedem a reconstrução de instalações civis, o principal mecanismo que, ao longo de meio século, supervisionou essa fronteira dentro do arcabouço do direito internacional está prestes a se retirar.
O papel dos Estados Unidos atravessa as duas extremidades dessa cadeia lógica: mediou um cessar-fogo que não estabelece cronograma claro de retirada e reconstrução e, ao lado de Israel, impulsiona o fim do monitoramento internacional do cumprimento do acordo. Cessar-fogo e ocupação passam, assim, a coexistir; manutenção da paz e sua desconstrução avançam em paralelo.
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