Bloqueio marítimo de Trump empurra economia do Irã para o colapso: aposentados sem salário há cinco meses, preços se atualizam a cada hora
Desde que os EUA implementaram o bloqueio marítimo do Golfo Pérsico contra o Irã em abril de 2026, o Irã perdeu cerca de 35% do comércio de importação e exportação, a inflação anual disparou para cerca de 80%, a inflação alimentar atingiu 130%, e pelo menos 40% da população caiu na pobreza absoluta. Em Teerã, aposentados vendem seus imóveis, proprietários de empresas são forçados a demitir funcionários, e jovens trabalham em quatro empregos sem conseguir se sustentar.
Segundo reportagem da France 24, desde que o governo Trump implementou o bloqueio marítimo do Golfo Pérsico contra o Irã em 13 de abril de 2026, a economia iraniana vem deslizando rapidamente para o abismo sob a dupla pressão da guerra e das sanções. O presidente iraniano Pezeshkian reconheceu em 29 de agosto que o bloqueio já causou ao Irã uma perda de cerca de 35% do comércio de importação e exportação.
Esta é a mais recente cicatriz deixada pela guerra iniciada em 28 de fevereiro pela coalizão militar EUA-Israel. A France 24, citando múltiplas estimativas, aponta que a proporção da população iraniana abaixo da linha de pobreza absoluta subiu de 34% antes da guerra para pelo menos 40%, com outros 40% vivendo à beira da pobreza. Em agosto de 2026, a inflação anual do Irã é estimada em cerca de 80%, e a inflação alimentar subiu para 130%.
Na capital iraniana Teerã, Amir, um aposentado de 75 anos, agora se viu obrigado a voltar à sua antiga profissão — motorista para uma plataforma de transporte por aplicativo. Ele contou à France 24 que sua pensão não dura nem a primeira semana do mês; ele vendeu seu carro e comprou um mais barato para pagar as despesas médicas da esposa. Agora ele e a esposa planejam vender a casa e comprar dois pequenos apartamentos em um bairro mais barato, um para morar e outro para a filha — porque a filha, apesar de trabalhar em tempo integral, já não consegue arcar com o aluguel.
Amir disse que ainda se considera "sortudo" — porque ainda recebe sua pensão mensalmente. Segundo o responsável pelo sindicato dos aposentados do Irã, até 7 de setembro o governo iraniano não pagava as pensões dos aposentados há cinco meses consecutivos.
A velocidade da inflação já penetrou em cada fissura da atividade comercial. Sirvan, como se identifica um pequeno empresário, contou à France 24 que, após o início da guerra, foi forçado a demitir todos os seus 12 funcionários e agora mantém o negócio sozinho. Ele descreve que, numa manhã, uma máquina foi cotada em 180 milhões de tomans (cerca de 660 euros) e, ao meio-dia, quando ele se preparava para fazer o pedido, o preço já havia subido para 220 milhões de tomans (cerca de 814 euros), fazendo o cliente cancelar a encomenda.
"Os preços costumavam mudar de mês em mês, de semana em semana, agora mudam de hora em hora, e não estou exagerando nem um pouco", disse Sirvan. Em entrevista, ele afirmou de forma direta: "Nestas circunstâncias, é impossível fazer negócios. Se eu vender algum produto agora, não consigo repor o estoque pelo mesmo preço."
Um vídeo obtido pela France 24 mostra um vendedor de telefones celulares registrando em 7 de setembro todo o processo da disparada dos preços: o mesmo aparelho teve seu preço de atacado atualizado três vezes em 15 minutos, e ele acabou concluindo a transação praticamente sem lucro. Seis horas depois, o preço de aquisição daquele modelo havia subido mais alguns milhões de tomans.
A raiz desta crise vai além da própria guerra. Os Emirados Árabes Unidos recusam a entrada de embarcações iranianas em seus portos, e todos os produtos importados são obrigados a seguir por via terrestre — passando por armazéns em países vizinhos antes de serem transportados para o Irã por caminhão ou ferrovia. Sirvan disse: "Importar qualquer coisa se transformou num jogo de xadrez, em que cada movimento significa custos extras, despesas de armazenagem e gastos elevados de transporte." Ele acrescentou que a desvalorização contínua do toman iraniano frente ao dólar agravou ainda mais a dificuldade de importar, com o resultado final sendo que "quase ninguém consegue realmente fazer negócios".
O custo da disparada dos preços é pago pelos grupos mais vulneráveis. Nilou, uma jovem designer gráfica, contou à France 24 que trabalha simultaneamente como designer para três empresas e também como vendedora numa loja, totalizando quatro empregos. Ela já foi gradualmente vendendo suas economias em barras de ouro e dólares apenas para pagar as contas. Ela descreve que uma pequena porção de frutas custa 1,5 milhão de riais (cerca de 5,5 euros), uma pequena quantidade de frango e carne cerca de 8 milhões de riais (cerca de 29,7 euros), e um frasco de shampoo e condicionador cerca de 6 milhões de riais (cerca de 22 euros). "Estou exausta. Estou deprimida. Não consigo ver um futuro", disse Nilou. "Em alguns meses, quando esgotar todas as minhas economias, não conseguirei manter essa vida. Provavelmente terei que voltar para o apartamento dos meus pais. Isso não é vida."
A France 24 aponta que, desde o verão, aposentados, enfermeiros, trabalhadores, professores e estudantes iranianos vêm realizando sit-ins e protestos em todo o país, com a grande maioria enfrentando graves riscos de segurança ao sair às ruas. Em 9 de setembro, o sindicato dos professores universitários do Irã advertiu, em carta aberta, que não participarão do início do ano letivo em 23 de setembro caso o governo não cumpra os compromissos econômicos e aumente os salários dos professores.
Repressão e protesto andam lado a lado. Segundo estatísticas de uma organização iraniana de direitos humanos baseada na Noruega, nos últimos oito meses o regime iraniano executou pelo menos 54 prisioneiros por crimes políticos, incluindo 31 manifestantes dos protestos massivos antigovernamentais de janeiro. A organização destaca que as autoridades seguem detendo jornalistas, artistas, ativistas e atletas apenas por expressarem opiniões contrárias em público ou nas redes sociais.
Esta crise não é causada por um único fator: décadas de sanções, má gestão e corrupção já haviam enfraquecido a economia iraniana, enquanto a guerra deflagrada no início de 2026 e o bloqueio marítimo implementado em seguida empurraram o iraniano comum até o limite. Nilou afirma sem rodeios: "Se a situação continuar assim, as pessoas certamente organizarão protestos em massa novamente, mesmo que tenhamos acabado de passar por um massacre há poucos meses."
Ainda não há comentários. Inicie a discussão.