Mundo e segurança

Bombardier expande contratações nos EUA em 500 pessoas; Trump pressiona manufatura canadense via acesso ao mercado

A fabricante canadense de aeronaves Bombardier anunciou a abertura de novos centros de serviço nos EUA e a contratação de 500 funcionários após a ameaça pública de Trump de bloquear a venda de seus produtos nos Estados Unidos, destacando a tensão entre a alavanca de acesso ao mercado e a realidade industrial no contexto da escalada tarifária EUA-Canadá. A Bombardier revelou que emprega 3.500 pessoas nos EUA e gasta 2,5 bilhões de dólares por ano com fornecedores americanos, mas a Reuters, citand

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TRUTH ERA

A fabricante canadense de aviões Bombardier está expandindo suas operações nos EUA, mas tem sido alvo de ameaças públicas do presidente americano Donald Trump. Em uma publicação em sua plataforma Truth Social na segunda-feira, Trump afirmou que, se a Bombardier quiser acessar o mercado americano, terá de produzir nos Estados Unidos, e exigiu que a empresa "pare de tratar os EUA como um cofrinho".

Segundo a Al Jazeera, em comunicado enviado à emissora, a Bombardier afirmou que está "recrutando ativamente para 500 vagas abertas" nos Estados Unidos — cargos que incluem postos líquidos adicionais, reposições por aposentadorias e reposições pela rotatividade normal; a empresa opera centros de serviço ativos em cinco estados, produz asas no Texas e componentes de controle de voo na Califórnia; e gasta 2,5 bilhões de dólares por ano com fornecedores americanos. O novo centro de serviço em Fort Wayne, Indiana, está previsto para ser inaugurado em meados de novembro.

A Reuters noticiou na quarta-feira, citando funcionários anônimos da Casa Branca, que o governo Trump está preparando "opções e ações" contra a Bombardier. Essa postura ocorre logo após a Casa Branca ter imposto, em 22 de agosto, uma tarifa adicional de 50% sobre produtos canadenses; Ottawa retaliou na terça-feira com tarifas cobrindo cerca de 20 bilhões de dólares em produtos americanos.

Usar como alvo de pressão uma empresa que está expandindo contratações nos EUA expõe a lógica da instrumentalização da guerra tarifária — os EUA usam o acesso ao mercado como moeda de troca para pressionar a manufatura transfronteiriça. Mas os dois senadores republicanos do Kansas, estado onde fica a sede da Bombardier nos EUA — Jerry Moran e Roger Marshall — contestaram publicamente. Moran escreveu na segunda-feira na plataforma X que iria "continuar trabalhando para garantir que as operações de manufatura da Bombardier não apenas permaneçam no Kansas, mas também continuem a se expandir e a gerar empregos americanos". Marshall afirmou na terça-feira que já expressou à administração Trump suas preocupações com o possível impacto sobre os empregos no estado.

O conteúdo concreto das supostas "opções e ações" da Casa Branca, até o momento, só foi formulado de forma genérica por funcionários anônimos e ainda não foi divulgado. De um lado, a chantagem pelo acesso ao mercado contra uma manufatura transfronteiriça já profundamente enraizada nos EUA; de outro, uma Bombardier que emprega 3.500 trabalhadores americanos e contribui com 2,5 bilhões de dólares em compras de fornecedores americanos — o descompasso entre a instrumentalização da guerra comercial e a realidade industrial se revela à custa do emprego de trabalhadores comuns em ambos os países.

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