Coalizão saudita realiza 54 ataques aéreos no Iêmen em 12 horas; transbordamento da Guerra do Oeste Asiático provoca nova catástrofe humanitária
Os Houthis do Iêmen afirmaram em 9 de setembro que a coalizão saudita realizou 54 ataques aéreos em várias províncias nas últimas 12 horas, causando mais de 500 mortos e cerca de 20 mil civis deslocados desde a ofensiva da semana passada. A reativação das hostilidades ocorre no contexto da "Guerra do Oeste Asiático" deflagrada pelos Estados Unidos e Israel com ataques ao Irã no final de fevereiro, e o preço internacional do petróleo voltou a ultrapassar 100 dólares por barril no mesmo dia.
Em 9 de setembro de 2026, o porta-voz militar dos Houthis do Iêmen, Yahya Saree, anunciou que a coalizão saudita realizou 54 ataques aéreos nas províncias de Al-Jawf, Marib, Taiz, Hodeidah e Saada nas últimas 12 horas. Esta escala marca uma das mais graves escaladas do conflito desde a intervenção militar da coalizão multinacional liderada pela Arábia Saudita no Iêmen em 2015, mergulhando novamente o país, que já carrega mais de uma década de cicatrizes de guerra, em uma catástrofe humanitária.
De acordo com reportagem do The Hindu de 9 de setembro, desde que os Houthis lançaram na semana passada uma ofensiva com o objetivo de capturar territórios ao redor do Estreito de Bab el-Mandeb, os combates já causaram mais de 500 mortos e cerca de 20 mil civis foram forçados a fugir de suas casas. Esta estatística da Organização Internacional para as Migrações é a nota humanitária mais direta deste conflito. Em um campo de deslocados construído com paus e capim perto de Hoka, na costa do Mar Vermelho, Mohammed al-Hudayri, que fugiu da guerra, disse à imprensa: "É um desastre, os ataques continuam. Conseguimos sair, mas outras pessoas continuam presas lá."
A reativação das hostilidades ocorre sob a sombra da "Guerra do Oeste Asiático". Este conflito, deflagrado pelos Estados Unidos e Israel com ataques ao Irã no final de fevereiro de 2026, arrastou o Iêmen, a região do Golfo, rica em energia, e toda a área para dentro dele. Em 9 de setembro, o preço internacional do petróleo voltou ao patamar elevado de 100 dólares por barril, destacando o impacto direto desta guerra transbordada sobre o mercado global de energia.
A escalada das hostilidades e os contra-ataques ocorrem simultaneamente. Em 8 de setembro, os Houthis lançaram contra instalações petrolíferas sauditas o maior ataque com mísseis e drones dos últimos anos, causando 73 feridos e provocando grandes incêndios, e as autoridades sauditas juraram em seguida responder. Segundo reportagem de 9 de setembro da televisão Al-Masirah, operada pelos Houthis, um ataque aéreo anterior da coalizão saudita contra uma prisão já havia causado 32 mortos e 7 feridos, e os trabalhos de busca e resgate continuam. A Defesa Civil saudita havia emitido naquele dia alertas de defesa aérea para a província de Khamis Mushait e a cidade de Abha, próximas à fronteira com o Iêmen, mas os retirou rapidamente, sem explicar o motivo.
O foco estratégico aponta para Hodeidah — a cidade portuária controlada pelos Houthis e porta de entrada para as rotas marítimas do Mar Vermelho. Análises do Institute for the Study of War apontam que Hodeidah pode tornar-se o "objetivo final" das forças apoiadas pela Arábia Saudita; o instituto destaca em relatório que o porto "é vital para os abastecimentos civis e militares dos Houthis, e sua queda representará um golpe significativo para o grupo". Analistas apontam que, após o Irã ter bloqueado o Estreito de Ormuz, os Houthis tentam reforçar a pressão sobre o Estreito de Bab el-Mandeb — passagem crucial para as exportações petrolíferas sauditas —, tendo atacado petroleiros sauditas nos últimos meses.
O fio histórico do conflito iemenita oferece um pesado pano de fundo para as hostilidades atuais. Em 2015, a coalizão multinacional liderada pela Arábia Saudita lançou uma intervenção militar contra os Houthis, que haviam tomado a capital do Iêmen e forçado a saída do governo reconhecido internacionalmente; a guerra durou sete anos, até que um cessar-fogo mediado pela ONU em 2022 deixou como herança centenas de milhares de mortos e uma das piores crises humanitárias do mundo. Em julho de 2026, os Houthis permitiram o pouso de uma aeronave iraniana no Iêmen, desafiando abertamente o controle saudita sobre o espaço aéreo iemenita; o governo apoiado pela Arábia Saudita retaliou com ataques aéreos ao aeroporto, reacendendo este conflito que estava "adormecido".
Até o fechamento desta edição, as autoridades sauditas não emitiram nenhuma resposta pública às reportagens sobre os 54 ataques aéreos do dia 9. Enquanto os caças sauditas continuam empurrando centenas de milhares de pessoas de volta ao deslocamento forçado, este silêncio é, por si só, a nota mais direta do desequilíbrio entre poder e responsabilidade.
Ainda não há comentários. Inicie a discussão.