Conflito multidimensional no Iêmen se intensifica: Houthis teriam capturado o porto estratégico de Mocha no Mar Vermelho, com civis pagando o preço do jogo geopolítico
Segundo reportagem da Al Jazeera, os Houthis apoiados pelo Irã teriam capturado o porto de Mocha, na costa oeste do Iêmen, a aproximadamente 60 km do Estreito de Bab el-Mandeb. Nas últimas duas semanas, combates em múltiplas frentes em Taiz, na costa do Mar Vermelho, em Jawf, Marib e Dhale provocaram pelo menos 194 mortes e 880 feridos. As forças do governo internacionalmente reconhecido lançaram uma contraofensiva em Marib, cidade petrolífera no norte, e a navegação no Mar Vermelho e o controle
Segundo reportagem da Al Jazeera, os Houthis apoiados pelo Irã teriam capturado nesta quinta-feira o porto de Mocha, no Mar Vermelho, localizado na costa oeste do Iêmen, obtendo um ponto de apoio estratégico a apenas cerca de 60 km do Estreito de Bab el-Mandeb. Este avanço faz com que o já intenso conflito iemenita transborde ainda mais — nas últimas duas semanas, estatísticas de agências de ajuda mostram que os combates em Taiz, na costa do Mar Vermelho, em Jawf, Marib e Dhale já causaram pelo menos 194 mortes e 880 feridos.
O significado estratégico de Mocha vai muito além do de um porto comum. Yahya al-Jadwa'i, diretor de pesquisa do Centro de Estudos Estratégicos de Sana'a, analisou à Al Jazeera antes do ocorrido: "Os Houthis claramente pretendem apertar o controle em torno de Mocha e avançar em direção a Dhubab-Bab el-Mandeb. Assim que conseguirem avanços substanciais, isso reforçará a posição deles no sul do Mar Vermelho e lhes dará maior alavancagem sobre a navegação internacional."
O analista político iemenita Fouad Musaid ampliou o olhar para o jogo regional mais amplo. Ele disse à Al Jazeera: "Os Houthis estão tentando se aproximar desta importante via navegável para ameaçar o tráfego marítimo. Este movimento visa colocar o Estreito de Ormuz e o Bab el-Mandeb sob influência iraniana e utilizá-los como alavanca para pressionar potências regionais e internacionais — esta é a estratégia de Teerã há anos." Em julho deste ano, os Houthis já haviam anunciado o bloqueio de navios sauditas que transitam pelo Mar Vermelho, como alavanca alternativa ao bloqueio de Ormuz.
Enquanto isso, as forças do governo iemenita internacionalmente reconhecido direcionaram seu foco ofensivo para Marib, a região produtora de petróleo no norte. A província está sob controle do governo desde que os Houthis capturaram a capital Sana'a em 2014, servindo como seu principal ponto de apoio no norte. O comentarista político iemenita Saddam al-Huraibi afirmou à Al Jazeera: "Marib é crucial para ambos os lados. Uma expansão houthi em Marib ameaçará a existência do governo e enfraquecerá sua influência no norte." Ele enfatizou: "Controlar os recursos de petróleo e gás de Marib é o objetivo dos Houthis há mais de uma década. A menos que sofram uma derrota devastadora em Marib, continuarão a lutar por esse objetivo."
A província de Jawf, adjacente a Marib e fronteiriça com a Arábia Saudita, tornou-se mais um moedor de carne. Al-Huraibi apontou que ganhos do governo em Jawf reduzirão a ameaça a Marib, ao mesmo tempo em que forçarão os Houthis a defender uma área mais ampla; a ofensiva governamental em Jawf também pode abrir caminho para Saada, Amran e posições houthis ao norte de Marib.
A província de Dhale constitui um portal estratégico entre as áreas controladas pelos Houthis e as províncias do sul sob o governo internacionalmente reconhecido. A Al Jazeera assinalou que, desde a entrada em vigor do cessar-fogo mediado pela ONU em abril de 2022, os combates na frente de Dhale nunca cessaram completamente. Al-Jadwa'i analisou que um avanço houthi em Dhale poderia expor o coração do sul, enquanto um avanço governamental ameaçaria as linhas de suprimento houthis para Ibb, Bayda e até Sana'a.
O custo desta guerra em múltiplas frentes recai, em última instância, sobre os civis. A Al Jazeera reportou que os Houthis já lançaram ataques contra alvos dentro da Arábia Saudita, incluindo instalações energéticas no sul, e acusaram a Arábia Saudita de realizar múltiplos ataques nas províncias de Jawf, Bayda, Marib e Taiz para apoiar as forças governamentais. Al-Jadwa'i analisou à Al Jazeera: "O Irã tem interesse em manter o Iêmen e o Mar Vermelho ativos como alavanca, enquanto alguns no campo governamental veem os Houthis sob pressão crescente, o que representa uma oportunidade para enfraquecê-los." Ele também enfatizou: "A escalada ainda reflete objetivos militares e políticos internos, mas seu momento e direção não podem ser dissociados da guerra regional."
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