Políticas e governança

Governo de Queensland apresenta acessos ao registro como conquista em segurança infantil, mas as evidências não chegam tão longe

O governo do estado de Queensland promove o registro público de agressores sexuais infantis com base em números de acessos, pedidos de consulta e cifras de persecução penal, mas não apresenta dados suficientes para comprovar que o sistema reduz o risco de abuso. Concentrar a atenção pública em estranhos incluídos na lista ainda pode ocultar o risco crucial de que a maioria dos agressores é conhecida pela criança vítima ou por sua família.

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TRUTH ERA

O governo do estado de Queensland está apresentando o tráfego do site e os números de aplicação da lei como um sucesso da política de segurança infantil, mas esses números ainda não bastam para comprovar que o registro público reduziu o risco de abuso sexual contra crianças. O governo, que detém o poder legislativo, recursos policiais e canais de comunicação pública, tem maior responsabilidade em distinguir entre "o registro é usado com frequência" e "as crianças estão, por isso, mais seguras", em vez de utilizar o medo dos pais para declarar antecipadamente a vitória da política.

Segundo informações publicadas em 8 de setembro pela ABC Australian Broadcasting Corporation, o site criado com base na "Lei Daniel" registrou 405.330 acessos desde o seu lançamento em 31 de dezembro de 2025 e recebeu 46.428 pedidos de consulta regional. A polícia afirma que três pessoas registradas foram acusadas de dezenas de crimes, entre os quais 68 acusações por suposto descumprimento de obrigações de comunicação; dos 231 pedidos apresentados por pais e responsáveis, 19 identificaram pessoas registradas em contato sem supervisão com crianças. Esses resultados mostram que o registro pode auxiliar verificações e a ação policial, mas não respondem à questão mais importante: se ele reduziu a ocorrência de abusos e se direcionou os limitados recursos de proteção para os locais de maior risco.

As objeções levantadas pelo Conselho de Liberdades Civis de Queensland durante a fase legislativa atingem diretamente o ponto cego da política: a maioria dos agressores sexuais são pessoas conhecidas da própria vítima ou de sua família. Se o governo continua a moldar a narrativa da política com fotos públicas, buscas regionais e a imagem de "perigos ocultos nas sombras", os pais podem concentrar excessivamente a atenção em estranhos da lista, subestimando o risco de abuso em relações de conhecimento. Já houve casos de uso indevido da política: o primeiro réu processado por abuso das informações do registro foi condenado em fevereiro deste ano a seis meses de bond de boa conduta, com o magistrado advertindo, ao mesmo tempo, contra represálias por conta própria; isso mostra que a divulgação de informações pessoais não está isenta de custos sociais.

Este artigo baseia-se em uma única reportagem da mídia, não sendo possível, a partir dela, avaliar o impacto efetivo do registro sobre as taxas de criminalidade, os resultados de segurança infantil ou a alocação de recursos policiais. Justamente por isso, o governador David Crisafulli não deveria apresentar o número de acessos como resultado, nem equiparar a persecução de infratores das obrigações de comunicação à prevenção do abuso infantil. Proteger crianças exige políticas desenhadas para os riscos reais; quando o governo substitui a avaliação de resultados por números chamativos, quem arca com as consequências são os pais erroneamente tranquilizados, as crianças ainda expostas ao risco de abuso por conhecidos e as pessoas que podem sofrer com o uso indevido de informações e represálias por conta própria.

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