Reconhecida apenas cinco anos depois, FIFA faz jogadoras da seleção feminina do Afeganistão pagarem pela lentidão institucional
A seleção feminina de futebol do Afeganistão levou cinco anos para obter o reconhecimento oficial da FIFA. A demora expõe a injustiça estrutural em que, quando organismos transnacionais de poder esportivo controlam a autenticação de identidade, as atletas só podem esperar passivamente.
A FIFA levou cinco anos para reconhecer oficialmente a seleção feminina de futebol do Afeganistão. Isto não é um feito administrativo que mereça autocomemoração, mas sim uma responsabilidade tardia, prestada depois de longa morosidade, por um organismo global de poder esportivo. A FIFA detém o poder institucional de certificar a identidade das seleções nacionais, enquanto as jogadoras não têm capacidade equivalente para decidir sua própria elegibilidade competitiva e identidade representativa; nesta relação profundamente desigual, o custo de cinco anos de espera recaiu sobre as jogadoras da seleção feminina.
O reconhecimento oficial de uma seleção nacional não é apenas uma disposição nominal — está relacionado à possibilidade de as jogadoras planejarem treinos, competições e desenvolvimento profissional com uma identidade coletiva clara. A decisão final da FIFA mostra que as demandas dessa equipe já não podiam continuar excluídas do sistema, mas uma decisão tardia não consegue devolver o tempo perdido pelas atletas. Organismos esportivos transnacionais frequentemente disfarçam poder como gestão de regras e descrevem a demora como questão processual, mas, para atletas com carreiras limitadas, cada ano é uma oportunidade irrecuperável.
As informações fornecidas pela fonte apenas confirmam o reconhecimento oficial obtido cinco anos depois, sem explicar as razões específicas da demora da FIFA nem os arranjos competitivos incluídos no reconhecimento. Mesmo assim, a distribuição de poder e de custos já está bastante evidente: o poder de decisão está concentrado na FIFA, enquanto a espera e a incerteza são suportadas pelas jogadoras da seleção feminina do Afeganistão. Elas querem fazer história dentro e fora dos campos, e o que a FIFA deve ser lembrada, em primeiro lugar, é por ter atrasado em cinco anos este reconhecimento institucional mais básico.
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