Poder e política

Trump traça cheque de "dividendo" de 5 mil dólares: faltam fonte de financiamento e mecanismo de compensação

Em conferência republicana de meio de mandato realizada em Dallas, Trump prometeu entregar 5 mil dólares de "dividendo" a cada cidadão adulto americano caso os republicanos mantenham o controle do Senado e da Câmara, mas não esclareceu a fonte dos recursos nem explicou como o governo rastreará os locais de consumo. O cheque lembra a promessa anterior de um dividendo de 2 mil dólares a partir de tarifas — que, segundo reportagem da Deutsche Welle, segue sem ser cumprida. No evento, Stewart Rhodes

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Segundo reportagem da Deutsche Welle, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou aos eleitores em 9 de setembro, durante a conferência republicana de meio de mandato realizada em Dallas, no Texas, uma nova promessa fiscal: caso os republicanos mantenham o controle do Senado e da Câmara nas eleições de meio de mandato de novembro, ele próprio "entregará um dividendo de 5 mil dólares a cada cidadão adulto americano".

"Diante de nossa enorme vantagem e sucesso econômico, entregarei um dividendo de 5 mil dólares a cada cidadão adulto americano", disse Trump na conferência. Sua única condição adicional é que o dinheiro "deve ser gasto dentro dos Estados Unidos" — "não queremos que levem o dinheiro para gastar no Canadá, na China ou na Alemanha."

Contudo, faltam dois detalhes essenciais por trás do cheque de 5 mil dólares: a fonte de financiamento e o mecanismo de rastreamento. A Deutsche Welle aponta que Trump não esclareceu a origem fiscal da medida nem explicou como o governo rastreará os locais de consumo dos cidadãos.

Essa promessa, de aparência vazia, não é um caso isolado. Pouco antes desta conferência, Trump havia prometido entregar aos cidadãos um dividendo de 2 mil dólares proveniente da receita de tarifas alfandegárias. Segundo a Deutsche Welle, a promessa "segue sem ser cumprida até agora". Depois de o primeiro cheque não ter se concretizado, os eleitores se veem novamente diante de uma promessa política sem esclarecimento sobre a origem dos recursos.

Nos dois dias de discursos da conferência republicana em Dallas, Trump ampliou o leque de temas para algumas das políticas mais polêmicas de seu segundo mandato: defendeu a guerra contra o Irã, discutiu as tarifas alfandegárias e a retaliação econômica delas decorrente, impulsionou operações de combate à imigração, promoveu a construção de um salão de banquetes na Casa Branca e impôs mais restrições a pessoas transgênero. Aproveitou para retomar a proposta de renomear o Golfo do México e o Lago Ontário como "Golfo da América" e "Lago da América", além de brincar com a ideia de rebatizar o Estreito de Ormuz como "Estreito de Trump", propostas que receberam aplausos entusiasmados do público.

O tom do discurso manteve a retórica agressiva característica de Trump. A Deutsche Welle relata que, em seu pronunciamento, ele classificou imigrantes como "animais", enquanto outros oradores descreveram democratas como "malvados", "comunistas" e "socialistas". Ele pediu aos eleitores que "finjam" que ele próprio também está na cédula nas eleições de meio de mandato de novembro.

As figuras políticas presentes no evento também chamam atenção. Segundo a Deutsche Welle, citando a Associated Press, Stewart Rhodes, fundador da organização de extrema-direita Oath Keepers, compareceu ao evento. Rhodes foi condenado a 18 anos de prisão por seu envolvimento no motimbo do Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021, mas recebeu perdão integral após o retorno de Trump à Casa Branca. Trump também elogiou em seu discurso Erika Kirk, presente no local — justamente no dia anterior ao primeiro aniversário do assassinato de seu marido, Charlie Kirk.

Entre outras figuras políticas que discursaram estão o procurador-geral do Texas, Ken Paxton — aliado próximo de Trump que atualmente trava uma disputa acirrada por uma cadeira no Senado contra o desafiante democrata James Talarico. O senador republicano da Pensilvânia, Dave McCormick, foi apresentado por seu colega democrata John Fetterman, um gesto incomum em um contexto de crescente polarização entre os partidos. Fetterman, que nos últimos anos se distanciou das posições democratas, apresentou McCormick como seu "grande amigo" e prometeu trabalhar com Trump para proteger a indústria siderúrgica da Pensilvânia.

Quem financiará o "dividendo" de 5 mil dólares e com base em que se rastreará onde os cidadãos gastam seu dinheiro — Trump não ofereceu respostas em Dallas. A possibilidade de esse cheque se concretizar, somada à defesa que Trump faz da guerra contra o Irã e à imagem dos participantes do motimbo do Capitólio, agora perdoados, retornando ao centro do palco político, fica a critério dos próprios eleitores avaliarem.

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