Poder e política

Houthis capturam porto de Mocha: colapso das defesas da coalizão, fracasso da intervenção ocidental e choque no transporte marítimo global

Os Houthis do Iêmen capturaram em 10 de setembro a cidade portuária estratégica de Mocha, resultado de uma ofensiva maciça em três eixos iniciada em 3 de setembro. Segundo reportagem da Al Jazeera, as "Forças de Resistência Nacional", apoiadas pela Arábia Saudita, retiraram-se durante combates intensos, fazendo com que o governo internacionalmente reconhecido perdesse o último porto sob controle total na costa do Mar Vermelho. Mocha fica a apenas 75 quilômetros do estreito de Bab al-Mandab e con

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Os Houthis do Iêmen capturaram nesta quinta-feira (10 de setembro) a cidade portuária de Mocha, e a perda deste ponto estratégico marca um grande colapso na linha de frente da coalizão saudita na costa do Mar Vermelho. Segundo reportagem da Al Jazeera, desde 3 de setembro os houthis lançaram uma ofensiva coordenada a partir de três direções — oeste de Taiz, sul de Hodeidah e Mocha —, conquistando em apenas uma semana este que era o último porto totalmente controlado pelo governo internacionalmente reconhecido.

O editor de assuntos iemenitas da Al Jazeera, Ahmad Sharfi, apontou em sua reportagem que o ponto de virada decisivo ocorreu nas primeiras horas da manhã em Mocha — as "Forças de Resistência Nacional", lideradas por Tariq Saleh, sobrinho do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, retiraram-se em meio a combates intensos. Sharfi afirmou que os houthis "assumiram o controle da cidade após as Forças de Resistência Nacional terem se retirado na madrugada de hoje e recuado em direção a Mocha". As razões específicas da retirada permanecem obscuras — "não está claro se foi para reagrupar as forças, por razões militares ou porque não puderam suportar a intensa implantação militar dos houthis". Essa força armada é um componente central do governo internacionalmente reconhecido apoiado pela Arábia Saudita. Segundo a repórter da mesma emissora, Maha Ali, Saleh ordenou que as tropas executassem uma "retirada tática e reposicionamento" em troca do avanço dos houthis nas posições de al-Waziyah e Mawza, e determinou o estabelecimento de um centro de comando alternativo.

A localização geográfica de Mocha confere à sua queda um impacto global. A cidade fica a apenas cerca de 75 quilômetros do estreito de Bab al-Mandab — conhecido em árabe como "Portão das Lágrimas". Esse estreito canal conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é uma via crucial para o transporte de petróleo bruto e combustível do Golfo através do Canal de Suez rumo ao Mediterrâneo, bem como para o transporte de commodities asiáticas e petróleo russo. A análise da Al Jazeera destaca que o controle de Mocha pode conferir aos houthis "capacidade de estrangulamento no estreito de Bab al-Mandab". A Reuters, citando quatro fontes anônimas, informou que os houthis também estão atacando as ilhas Hanish, de importância estratégica no Mar Vermelho, ampliando ainda mais a frente marítima.

O custo humanitário da guerra continua a se acumular entre os iemenitas comuns. Reportagem da Al Jazeera indica que, nas últimas duas semanas, os combates nas províncias de Taiz e Hodeidah causaram o deslocamento de mais de 20 mil pessoas; centenas de mulheres e crianças já foram evacuadas de Mocha para buscar refúgio em Lahij e na província de Aden, sob controle do governo apoiado pela Arábia Saudita. Sharfi afirmou: "Há um grande fluxo de deslocados para Zabara e Aden vindos das áreas ao sul de Hodeidah e Mocha."

Diante dessa reviravolta militar, o Ministério das Relações Exteriores, Assuntos Comuns e Desenvolvimento do Reino Unido publicou comunicado afirmando que "os houthis são inteiramente responsáveis por esta crise" e instando-os a "cessar imediatamente os ataques e as ações de escalada". O analista de política de defesa Wolfgang Pusztai declarou à Al Jazeera: "Este é um ponto de virada na guerra. Isso pode levar ao colapso total das forças governamentais no sul." Ele acrescentou: "O porto de Mocha era o último porto totalmente controlado pelo governo internacionalmente reconhecido."

A queda de Mocha expõe mais uma vez o desequilíbrio intrínseco desta guerra, conduzida pela Arábia Saudita e longamente tolerada pelo Ocidente: diante das vantagens da coalizão — capacidade de ataques aéreos, armamento e reconhecimento diplomático fornecidos pelo Ocidente —, os houthis, com base em mobilização terrestre e coordenação em três eixos, capturaram em poucos dias o último porto estratégico na costa do Mar Vermelho. Quando o comunicado de Londres atribui toda a responsabilidade aos houthis, as centenas de mulheres e crianças obrigadas a se retirar de Mocha para Aden, bem como os mais de 20 mil deslocados adicionais em Hodeidah e Taiz, são sistematicamente excluídos do campo de visão da narrativa ocidental.

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