Políticas e governança

Partido Trabalhista da Austrália altera reservas de gás para calibração conforme demanda; Verdes classificam como "triste rendição à indústria do gás"

O governo federal da Austrália publicou na quinta-feira um projeto de plano de reservas de gás, alterando a exigência anterior de que os exportadores de GNL reservassem fixamente 20% de suas exportações. Agora, o regulador de energia definirá as obrigações de cada exportador com base em 110% da demanda doméstica prevista, mantendo 20% como teto. O Partido Verde criticou a medida como uma "rendição" à indústria do gás, enquanto o ministro de Energia e Mudanças Climáticas, Chris Bowen, afirmou tra

0 visualizaçõesEntre para salvar
TRUTH ERA

O projeto de plano de reservas de gás divulgado pelo governo federal australiano na quinta-feira altera a exigência anterior de que os exportadores de gás natural liquefeito (GNL) reservassem fixamente 20% de suas exportações. Agora, o regulador de energia da Austrália definirá as obrigações de cada exportador com base em 110% da demanda doméstica prevista, mantendo 20% como teto. Segundo reportagem da ABC News, o ajuste foi duramente criticado pela porta-voz de Recursos do Partido Verde, Steph Hodgins-May, que o classificou como uma "triste rendição à indústria do gás" por parte do Partido Trabalhista. Já o ministro de Energia e Mudanças Climáticas, Chris Bowen, negou que o projeto "enfraqueça" a política original e insistiu que se trata de uma "calibração sensata".

Ao anunciar o plano, Bowen afirmou: "Não vemos dessa forma absolutamente nenhuma. Consideramos isso uma calibração sensata. O número de 20% continua sendo o núcleo absoluto da política, mas não faz sentido reservar gás que os australianos não precisam." Ele também reconheceu que grandes compradores de GNL, incluindo Malásia e Coreia do Sul, desejam "obter garantias" para que os contratos existentes sejam cumpridos, e que o novo plano visa assegurar uma "oferta moderada excedente" de gás pela Austrália, sem ameaçar esses contratos.

De acordo com o novo plano, o órgão regulador de energia definirá anualmente as obrigações de cada exportador, de modo que forneçam gás suficiente para atender 110% da demanda doméstica prevista, com teto de 20% das exportações. O governo estima que os exportadores poderão disponibilizar até 200 petajoules adicionais de gás por ano, o que seria "suficiente" para cobrir o déficit projetado de até 140 petajoules na oferta doméstica. As empresas de gás serão obrigadas a solicitar licenças de exportação, que só serão concedidas após o cumprimento das obrigações de abastecimento doméstico. O processo de licenciamento começará em janeiro de 2027, e as obrigações de fornecimento doméstico entrarão em vigor em meados de 2028. Bowen enfatizou que os exportadores não apenas precisam "oferecer", mas efetivamente entregar sua parcela doméstica.

Bowen afirmou que o plano visa garantir o abastecimento para a indústria e as famílias australianas, e não estabelecer "metas" de preço, mas reconheceu que "uma oferta excedente moderada... obviamente visa exercer pressão de baixa sobre os preços". O ministro da Indústria, Tim Ayres, classificou a reserva como uma "reforma estrutural duradoura", afirmando que trará "empregos mais seguros" para as regiões industriais da Austrália e atrairá investimentos futuros.

A crítica do Partido Verde mirou diretamente a estreita relação entre o Partido Trabalhista e o setor. Hodgins-May apontou que o Partido Trabalhista está desenhando o plano "em estreita consulta com a indústria do gás, que há anos se opõe a qualquer política que exija sua parcela justa", e declarou: "O plano de reservas não vai adicionar um centavo para as famílias australianas." Ela pediu que o Partido Trabalhista abandonasse essa concessão e, em vez disso, avançasse com um imposto sobre exportações de gás: "O Partido Trabalhista deveria abandonar essa triste rendição à indústria do gás e trabalhar conosco para garantir que os australianos obtenham um retorno justo do nosso gás." Quando questionado se descartaria qualquer imposto adicional sobre o gás, Bowen respondeu que o plano de reservas tem "maior impacto" e disse: "Não faremos isso [a tributação]; o que fazemos é isto".

As reações do setor foram divergentes. A diretora-executiva da Associação Australiana de Produtores de Energia, Samantha McCulloch, reconheceu que o governo fez alguns ajustes "sensatos" no desenho do plano, incluindo aproximá-lo da demanda doméstica, mas alertou que o excedente de 110% no mercado da costa leste "prejudicará os sinais de investimento" e "expulsará" produtores menores focados no mercado doméstico. Ela observou: "O requisito de 'precisar vender' agrava esses riscos. Os produtores não devem ser forçados a vender gás abaixo do custo ou em condições não comerciais." Já o presidente-executivo da Santos, Kevin Gallagher, negou que haja escassez de gás na Austrália, afirmando que "basta que mais gás seja extraído do subsolo", e revelou que o projeto Gladstone LNG, liderado pela Santos, deixará de comprar gás de terceiros para cumprir seus contratos de exportação.

O plano federal trata a Austrália Ocidental e a costa leste como mercados independentes, pois não há conexão por gasodutos entre eles. A Austrália Ocidental já conta com um plano estadual de reservas de 15%, mas projeta enfrentar grave escassez de gás na década de 2030. A ministra dos Recursos, Madeleine King, afirmou que o plano federal permite ao ministro reduzir as obrigações caso algum mercado já esteja suficientemente abastecido, como por exemplo "se o mercado da Austrália Ocidental for considerado bem abastecido, há a possibilidade de exercer discricionariedade para reduzir essa obrigação a zero". Contudo, ela enfatizou que nenhuma decisão sobre uma isenção para a Austrália Ocidental foi tomada até o momento.

A Coligação emitiu declaração afirmando que "analisará" a proposta do governo e está pronta para "cooperar de forma construtiva" na aprovação da legislação pertinente. O partido enfatizou seus "critérios essenciais", que incluem fornecer mais gás aos australianos, mais investimentos, cumprir os contratos existentes e reduzir preços por meio da oferta, e não de controles de preços.

Comentários

0

Ainda não há comentários. Inicie a discussão.